quinta-feira, 19 de novembro de 2015

BRINCAR Juliane Garcia, Aline Pastro

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D A Importância do Brincar para o Desenvolvimento Infantil
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                                                A Importância do Brincar para o Desenvolvimento Infantil
Fernanda Martins Marques e Helenise Lopes Ebersol
Psicólogas da Creche Francesca Zacaro Faraco

Embora, atualmente, a importância do brincar para o desenvolvimento infantil seja amplamente reconhecida, é comum observarmos crianças, por vezes muito pequenas, com uma rotina bastante atribulada, tomada por diversas atividades e compromissos. Muitas vezes, fica difícil encontrarmos alguma brecha, na correria do dia a dia dessas crianças, na qual elas possam, simplesmente, ter espaço e tempo para brincar. Mas, afinal, por que o brincar é considerado algo tão importante para o desenvolvimento das crianças?
Segundo Vygotsky (1989) - um dos autores que embasam teoricamente a proposta pedagógica da Creche Francesca Zacaro Faraco - o brincar cria a chamada zona de desenvolvimento proximal, impulsionando a criança para além do estágio de desenvolvimento que ela já atingiu. Ao brincar, a criança se apresenta além do esperado para a sua idade e mais além do seu comportamento habitual. Para Vygotsky, o brincar também libera a criança das limitações do mundo real, permitindo que ela crie situações imaginárias. Ao mesmo tempo é uma ação simbólica essencialmente social, que depende das expectativas e convenções presentes na cultura. Quando duas crianças brincam de ser um bebê e uma mãe, por exemplo, elas fazem uso da imaginação, mas, ao mesmo tempo, não podem se comportar de qualquer forma; devem, sim, obedecer às regras do comportamento esperado para um bebê e uma mãe, dentro de sua cultura. Caso não o façam, correm o risco de não serem compreendidas pelo companheiro de brincadeira.

Brincar com outras crianças é muito diferente de brincar somente com adultos.  O brinquedo entre pares possui maior variedade de estratégias de improviso, envolve mais negociações e é mais criativo (Sawyer, 1997). Assim, ao brincar com seus companheiros, a criança aprende sobre a cultura em que vive, ao mesmo tempo em que traz novidades para a brincadeira e ressignifica esses elementos culturais. Aprende, também, a negociar e a compartilhar objetos e significados com as outras crianças.
O brincar também permite que a criança tome certa distância daquilo que a faz sofrer, possibilitando-lhe explorar, reviver e elaborar situações que muitas vezes são difíceis de enfrentar. Autores clássicos da psicanálise, como Freud (1908) e Melanie Klein (1932, 1955), ressaltam a importância do brincar como um meio de expressão da criança, contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, ansiedades desejos e fantasias.
Já Winnicott (1975), pediatra e psicanalista inglês, faz referência à dimensão de criação presente no brincar. Segundo esse autor, é muito mais importante o uso que se faz de um objeto e o tipo de relação que se estabelece com ele do que propriamente o objeto usado. A ênfase está no significado da experiência para a criança. Brincando, ela aprende a transformar e a usar os objetos, ao mesmo tempo em que os investe e os “colore” conforme sua subjetividade e suas fantasias. Isso explica por que, muitas vezes, um urso de pelúcia velho e esfarrapado tem mais importância para uma criança do que um brinquedo novo e repleto de recursos, como luzes, cores, sons e movimento.
Dessa forma, percebe-se como o brincar é algo essencial para o desenvolvimento infantil. Uma criança que não consegue brincar deve ser objeto de preocupação. Disponibilizar espaço e tempo para brincadeiras, portanto, significa contribuir para um desenvolvimento saudável. É importante também que os adultos resgatem sua capacidade de brincar, tornando-se, assim, mais disponíveis para as crianças enquanto parceiros e incentivadores de brincadeiras.

Referências:
Freud, S. (1908). Escritores criativos e devaneios. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. IX. Rio de Janeiro: Imago.
Klein, M. (1932). A psicanálise de crianças. Rio de Janeiro: Imago.
Klein, M. (1955). A técnica psicanalítica através do brincar: sua história e significado. Rio de Janeiro: Imago.
Sawyer, R. K. (1997). Pretend play as improvisation: conversation in the preschool classroom. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates, Publishers.
Vygotsky, L. S. (1989). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores (J. C. Neto, L. S. M. Barreto & S. C. Afeche, Trans.). São Paulo: Martins Fontes.
Winnicott, D. W. (1975). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago.



Brincar com os pais ajuda crianças a crescerem mais seguras e criativas, diz psicóloga
"Mãe, brinca comigo? "Só um minutinho, filho, me deixa antes ver um negócio aqui no celular".
Se essa cena já aconteceu na sua casa, atenção. Cada vez mais estudos mostram que o uso excessivo dos telefones pelos pais é, atualmente, a principal queixa dos filhos em relação à família, e que o vício é, também, responsável por entraves no desenvolvimento emocional de crianças de todas as idades.

Por isso, que tal aproveitar o dia delas, comemorado nesta segunda-feira (12), e promover um dia sem celular em família? Um dia em que pais e mães se dediquem exclusivamente a brincar com as crianças?

Os benefícios psicológicos da interação lúdica com os filhos vão desde o reforço no vínculo amoroso entre as duas gerações até o aumento na confiança que os pequenos têm em si próprios, conforme explica a psicóloga Andreia Mutarelli, do Hospital Infantil Sabará.

Para ela, acolher a demanda dos filhos que pedem para brincar significa aceitar o que aquela criança decide mostrar dela mesma naquele momento.

— A brincadeira favorece o crescimento e a abertura para o novo. Faz desabrochar a criatividade, e mostra à criança que ela pode compartilhar as angústias, os pensamentos e as alegrias com os pais, que são as pessoas em quem ela mais confia. Além disso, é um modo de ela fazer elaborações de situações conflitivas que esteja enfrentado na vida.

Ao deixar os filhos de lado para ficar no celular, mães e pais estão, de acordo com Andreia, sinalizando que o aparelho é mais importante que as crianças naquele momento. Com isso, devem se perguntar se é este valor que realmente querem passar para os pequenos, já que, como explica a psicóloga, atitudes como esta podem estimular um vício em tecnologia quando eles se tornarem adultos.
— É algo que pode contribuir para que a criança não tenha confiança nela mesma. Para cuidar de alguém, precisamos reconhecer as necessidades dessa pessoa. Este apoio e encorajamento que os pais dão ao olhar para as necessidades do filho é o que vai ajudá-los a passar por situações novas e novos desafios.
Uma boa troca neste Dia das Crianças, aliás, é abraçar um dos maiores desafios da infância: aprender uma nova habilidade, como andar de bicicleta sem rodinhas, de patins, skate, nadar sem boia, praticar um esporte.

Ao se mostrarem disponíveis para enfrentar situações como estas juntos, os pais demonstram aos filhos que é possível se compartilhar na vida não só interesses, mas também dificuldades.

— Ao ensinar algo, os pais mostram que aquilo é um valor para eles. Para as crianças, é muito importante poder estar com um adulto na hora de acessar o não-saber, aquilo que gera angústia por ser desconhecido. Olhar para a dificuldade com o suporte dos pais facilita tudo. A criança sente que pode errar, cair da bicicleta, começar de novo, já que a mãe ou o pai vão estar ao lado para ajudar a levantar. É uma relação protegida.

Jogos de tabuleiro também são boa opção, já que promovem um momento de compartilhamento em família. Na opinião de Andreia, um dos pontos positivos é o fato de que brincadeiras como esta possuem regras, exigem estratégia e sugerem objetivos — com isso, alguém vai ganhar e alguém vai perder no final.
— Experimentar o ganhar e perder no ambiente em família oferece uma base de sustentação importante. A criança vai perceber que tudo bem se ela perder hoje, e que amanhã as coisas podem ser diferentes.
E engana-se quem pensa que é melhor passar longe de videogames e jogos eletrônicos.

A psicóloga explica que, já que vivemos em um mundo onde é praticamente impossível escapar deste tipo de diversão, os pais podem aproveitar seus benefícios, que são, basicamente, os do compartilhamento.

Pais, mães e filhos podem todos jogar juntos, inclusive convidado amiguinhos das crianças para também participar da brincadeira. Deste modo, todos saem ganhando, se divertindo em conjunto no Dia das Crianças e em todo o resto do ano também.

BRINCAR É IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL?
Você acha importante que uma criança coma alimentos saudáveis e beba água de qualidade? Acha importante que uma criança tenha acesso a boas escolas, a serviços de saúde capazes de dar atenção e diagnósticos rápidos e precisos? Acha que uma criança deve ser amada, protegida e ter direitos aos seus próprios sonhos e fantasias sem que tenha que trabalhar no sol e na chuva para suprir carências familiares diversas?
Provavelmente você respondeu positivamente a todas essas questões; não é mesmo? Mas, e brincar? Você acha que isso é mesmo importante para as crianças?
Se a sua resposta foi negativa, caro leitor, saiba que você está completamente equivocado. Brincar é tão importante para as crianças como comer ou ter direito a saúde e educação de qualidade. É brincando que a criança se prepara para tornar-se um adulto apto a encarar “de frente” os desafios que virão com a idade adulta e os obstáculos que a vida e as outras pessoas erguerão para evitar a sua passagem. É brincando que as crianças aprendem a respeitar o próximo, a não verem as diferenças como impeditivos e a entenderem que somos uma só espécie e conceitos como raça e cor da pele são inúteis e mentirosos. É através das brincadeiras que ocorre o desenvolvimento infantil.
Além disso, as brincadeiras são responsáveis por promoverem um enorme incremento nas ligações neurais e proporcionarem ao cérebro queimar etapas em seu desenvolvimento. Melhoram a coordenação motora; aumentam a velocidade de raciocínio e facilitam a formulação de ideias e conceitos abstratos; garantem uma melhor qualidade na interação entre a criança e o mundo que a cerca; formam ligações sensoriais e sociais importantes para um correto desenvolvimento da criança como um ser humano pleno e totalmente ciente de seu papel na família, em seu grupo social e no mundo.
Portanto, é imprescindível que as pessoas (e especialmente as mães) compreendam que brincar é muito mais do que simples diversão e uma forma de passar o tempo para as crianças. Brincar é a forma como o cérebro treina o ser humano para a vida adulta e para os desafios que ele deverá enfrentar quando for adulto. É uma forma de podermos experimentar situações e eventos que, de outra forma, seriam impossíveis para uma criança ou envolveriam tabus culturais dos mais diversos. Brincar é tornar-se um ser humano completo e portador de uma personalidade capaz de suportar pressões e desafios; reagindo adequadamente e de forma segura, usando o que “treinou” no passado instintivamente para garantir a vitória nas mais diversas situações.
Brincar é importante para as crianças como o estudo, a saúde e a boa alimentação. Brincar deve ser incentivado e garantido a qualquer criança e os pais e as mães devem sempre ter em mente que uma boa educação e a formação adequada de um adulto plenamente capaz de se transformar num ser humano seguro e feliz passa, invariavelmente, por uma boa e velha brincadeira bem divertida e aparentemente despretensiosa.
Logo, se entregue as brincadeiras que seu filho propõe e dê-lhe a oportunidade de exercitar a criatividade e, principalmente, de se desafiar. Faça com que cada criança sabe que será sempre amada e protegida; mas que terá de empenhar-se nos desafios e “jogos” que a vida apresentar a ela.
E, quando você se for, terá deixado um legado de preparo, felicidade, satisfação e um amor enorme.
Fonte:[1] GLOBO.COM


Brincar faz parte de ser criança!
By Editor -

9 de outubro de 2015
Brincar faz parte da infância e, além de ser um momento de diversão, atua no desenvolvimento das crianças. Com as brincadeiras, os pequenos ultrapassam o limite da realidade, despertam a criatividade, expressam sentimentos e constroem novos mundos por meio da imaginação.
Mas o conceito de brincadeira tem ganhado novos contornos ao longo dos anos. A tecnologia aliada ao espaço limitado, a violência nas cidades e a longa jornada de trabalho dos pais têm influenciado na forma com que as crianças interagem com o meio em que vivem. Essas novas formas de se divertir, seja no computador, videogame e demais aparatos eletrônicos, se distanciam cada vez mais das brincadeiras antigas, onde havia maior contato com a natureza e ao ar livre.
Antigamente, as crianças não tinham tantos brinquedos como as de hoje e por isso tinham de usar a criatividade para criá-los, explica a administradora Joice Miranda de Aquino. “Eu fazia meus próprios brinquedos com caixas, carrinhos de litros de óleo e as rodinhas com borracha da chinela. Eram simples, mas a gente se divertia muito”, conta.
Mãe do pequeno Jorge Eduardo Arcanjo de Aquino, de 4 anos, Joice busca incorporar brincadeiras de antigamente no dia a dia do filho. “O pai dele e eu compramos ou fazemos brinquedos que tínhamos quando criança. O Jorge tem carrinho de rolimã, pipa, biloquê. Esses dias, eu lhe dei uma corda de presente e ele está adorando. A gente brinca juntos e é uma forma de estimulá-lo a sair um pouco dessa era digital”, destaca Joice.
Ela salienta que a tecnologia chama a atenção do filho, como acontece com a maioria das crianças. “Ele gosta dos joguinhos no celular e é fã de televisão, principalmente de desenhos animados. Videogame, eu tento evitar ainda, mas imagino que ele vai querer. De toda forma, sempre procuro levar o Jorge para brincar em parques ou em clubes, coisas assim. Fazemos de tudo para que interaja com outras crianças e com a natureza. Ele adora.”
O empresário Alexandre Bonfim também se preocupa em dosar o uso da tecnologia na educação do filho, Gabriel Marques Bonfim, de 5 anos. Ele percebe os benefícios da era digital, mas destaca que é preciso saber equilibrar as coisas. “Eu trabalho com informática e vejo que algumas pessoas não têm a mesma agilidade com o computador que meu filho tem. Ele desenvolve alguns sentidos por meio da tecnologia, mesmo sem saber ler ainda. Mas estabeleço limites e não deixo de incorporar outras atividades na rotina dele”, afirma o pai.
Alexandre e a esposa, Camila Marques Bonfim, estabeleceram regras para não prejudicar o desenvolvimento do filho. “Ele só joga videogame aos finais de semana e feriados. Conta os dias para jogar, pois gosta muito, mas obedece. Fazemos isso para que ele não fique sedentário e opte também pelas brincadeiras ao ar livre”, explica o pai. A escolha do condomínio onde a família mora precisou da aprovação do pequeno Gabriel, segundo os pais. “Nós priorizamos a área de lazer, justamente para que ele tenha vontade de brincar fora de casa e interaja com as outras crianças.”
Lembrando da sua infância, Alexandre percebe o quanto difere da realidade das crianças atualmente. “Na época, a gente podia ficar na rua, não tinha perigo e nossos pais ficavam tranquilos. Eu brincava de golzinho, pique-esconde e muitas outras brincadeiras na rua de casa. Hoje, percebo que as crianças, por diversos motivos, acabam não sendo estimuladas a brincar de verdade”, diz.
Para Alexandre, esse comportamento na infância voltado ao mundo virtual pode influenciar na personalidade desses indivíduos enquanto adultos. “Vejo que as crianças vão ficando cada vez mais sozinhas e vão criando um mundinho próprio. Elas acabam tendo uma dificuldade de interagir e se adaptar a situações adversas do dia a dia. Outro problema é a dificuldade de compartilhar, esperar a sua vez, respeitar certos limites. Coisas que a tecnologia imediatista não ensina. Acho que isso acaba dificultando a adaptação desses meninos quando forem enfrentar o mundo lá fora”, enfatiza o pai. (Caroline Guimarães)

Brincar traz benefícios à saúde da criança

Que tal diminuir o tempo que seu filho gasta em frente à TV e levá-lo para um parque? Pesquisadores norte-americanos comprovam os benefícios das brincadeiras ao ar livre e não só em relação ao aprendizado.
Que o excesso de TV e de computador pode fazer mal ao seu filho, você já sabe. E que brincar é super saudável para a vida das crianças, mas você sabe quais são os riscos a que ele está exposto se passar tempo demais em frente à tela? E quais seriam os benefícios das brincadeiras para a saúde dele?
Pesquisadores da Universidade Yale, dos Estados Unidos, realizaram um estudo abrangente em que reuniram 173 pesquisas diferentes sobre a relação entre as crianças e as mídias em geral produzidas desde 1980. Eles constataram que aquelas que passam muito tempo assistindo à televisão, a filmes, navegando na internet ou jogando videogame estão mais propensas, futuramente, a desenvolver problemas como obesidade, fumo, uso de drogas e álcool, déficit de atenção e hiperatividade, além de apresentarem baixo rendimento escolar. E quanto seria esse “tempo excessivo”? Como diz Cary Gross, professor da Faculdade de Medicina de Yale e um dos responsáveis pelo estudo, há pesquisas que apontam uma média de 8 horas por semana, enquanto outros mostram que 2 horas por dia já seriam excessivas, tanto para os menores de 3 anos de idade, quanto para os maiores.
Mas, apesar de existirem mais evidências em relação à quantidade, é preciso estar atento também ao conteúdo que as crianças têm acesso. “Elas são como esponjas e absorvem o que vêem na televisão. O ideal é que os pais reduzam o tempo dos filhos em frente à tela”, diz. 
Cross tem dois, de 6 e 8 anos e afirma que eles passam cerca de apenas 30 minutos diários em média em frente à TV ou ao computador. “E eu assisto a todo programa antes, assim como também conheço todo game que eles jogam”, fala. Entre as medidas apresentadas aos pais pelo grupo de pesquisadores estão monitorar o uso, ver, ouvir e navegar junto com eles na internet, além de explicar às crianças o que é positivo e negativo nos programas de TV e games.
Outra pesquisa, conduzida pela Universidade de Washington, também reforça a tese do quanto as brincadeiras são importantes não só para o desenvolvimento infantil, mas também para uma boa saúde. Os pesquisadores constataram que a existência de espaços verdes perto de casa contribui para que as crianças façam mais atividades físicas e, conseqüentemente, tenham menos riscos de ficarem obesas.


A pesquisa foi conduzida por Janice Bell e outros pesquisadores da Escola de Saúde Pública e Medicina Comunitária da Universidade de Washington. Eles acompanharam quase 4 mil crianças e jovens, de 3 a 16 anos, durante dois anos. De acordo com artigo publicado na edição de dezembro do American Journal of Preventive Medicine, a pesquisa sugere, ainda, que as crianças que vivem em contato com áreas verdes apresentam melhor funcionamento cerebral e menos sintomas de déficit de atenção e hiperatividade.
Você mora longe de parques? Ou vive em uma cidade carente de espaços verdes? Então, procure alternativas: viaje para o campo sempre que possível, cultive um jardim em seu próprio quintal e se divirta junto com as crianças. De quebra, você também relaxa, se sente mais revigorado e ganham até mesmo auto-estima.


Marta Cristina L. Ferreira 
PSICÓLOGA CLÍNICA
CRP 06 / 95612




› Infância sem presentes
São José do Rio Preto, 10 de Outubro, 2010 - 2:30
Crianças carentes usam a imaginação para brincar

Maria Stella Calças

Um cabo de vassoura, uma bolinha de plástico furada, quatro meninos e a imaginação. É assim que brincam esses pequenos moradores do Parque da Cidadania, que devem ficar sem presentes no Dia das Crianças. Os meninos se dividem em duas duplas, um deles bate na bola com o cabo de vassoura e outros dois são responsáveis por resgatar a pequena bola azul. O quarto menino atua como se fosse um goleiro, atrás do que acerta a bola. “Estamos jogando golf tia”, explica Samuel Thierre da Silva Matos, de 11 anos, assim que avista a equipe de reportagem do Diário. 

Samuel está acompanhado dos vizinhos Brendo da Silva, 12, William da Silva, 9, e
Bryan da Silva, 4. “Eles sempre brincam aqui na frente de casa durante a manhã”, afirma a mãe do três, Daniela Cristina da Silva, 28. Os meninos encontraram a bolinha e o cabo de vassoura perto de casa. “A gente gosta mesmo de jogar futebol, mas nossa bola furou e não temos outra”, explica Brendo. 

Eles têm poucos brinquedos e nenhum dos eletrônicos que tanto agradam as crianças de hoje. “Não tenho dinheiro para dar brinquedos para eles. Meu marido é servente de pedreiro e está sem trabalhar por causa das chuvas. Eu tive toxoplasmose há dois anos e perdi a visão do olho esquerdo, agora estou perdendo a do olho direito mas ainda não consegui me aposentar”, conta Daniela. 

Brendo, Willian e Bryan têm ainda a irmã Nataly, 10, e a família vive da renda do Bolsa Família e do Bolsa Escola (R$ 192 mensais). “Não dá para comprar presentes. Tirei R$ 30 de onde não tinha para mandar o Willian e a Nataly numa excursão da escola para comemorar o Dia das Crianças, mas os outros dois não terão nada porque a escola não organizou e eu não tenho condições.” 

A família de Samuel também passa dificuldades. A mãe, Eva da Silva, é diarista, o pai está desempregado e a renda mensal da família de quatro pessoas é de R$ 520. “O Samuel é como qualquer criança. Agora ele está louco por um playstation (videogame), me pede todo dia, mas eu não tenho como dar”, afirma a mãe. Segundo Eva e Daniela, as crianças reclamam, pedem, mas acabam se divertindo usando a imaginação e o que encontram na rua. “Às vezes, eles ganham uns brinquedos usados, mas geralmente se viram com o que tem na rua mesmo”, afirma Daniela. 

“A gente brinca com o que dá para brincar”, explica Samuel. Dentro de casa, as brincadeiras ficam mais intelectuais. “Quando não deixo irem para a rua por causa do movimento dos carros, eles acabam desenhando, escrevendo cartinhas, essas coisas, porque brinquedo mesmo eles quase não têm”, conta Daniela. 

Essas crianças, com pouco recurso financeiro, mostram que não é preciso brinquedos caros, videogames de última linha para brincar com os amigos. Quando nos despedimos, um dos meninos aparece com duas garrafas de refrigerante vazias e o jogo de ‘golfe’ vira uma partida de bétia na mesma hora.
Projeto resgata brincadeiras e brinquedos antigos

“Brinquedos e Brincadeiras” é o nome do projeto desenvolvido pela Coopec, de Rio Preto, para resgatar antigas brincadeiras de rua.“A intenção é apresentar às crianças brinquedos que resgatam a cultura popular”, explica a professora Andressa Pelegrino, uma das responsáveis pelo projeto. As crianças, que têm em média 8 anos, aprendem a história de cada um dos brinquedos confeccionados, como surgiram, porquê, em que época, como as crianças brincavam, etc. 

Depois de aprender a história, começa o planejamento para a construção. “A partir daí, eles são responsáveis por juntar os materiais necessários para a confecção do brinquedo. Nisso os pais e outros parentes próximos acabam sendo incluídos”, afirma Andressa. Além de proporcionar a integração entre os próprios alunos, o projeto também promove aproximação entre gerações. “Esses brinquedos fizeram parte da infância dos pais, tios e avós dessas crianças e com isso, há uma aproximação. As crianças chegam em casa e vão brincar com os mais velhos, que contam histórias de quando tinham aquela idade, como brincavam. Isso aproxima dois mundos diferentes”, explica. 

O professor de educação física José Válter Manhas desenvolve a parte prática das brincadeiras com os alunos. “Aqui nós ensinamos na prática como utilizar cada brinquedo e aproveitamos para desenvolver a parte motora dos alunos.” Durante o processo, os alunos também aprendem a partilhar. “Nós formulamos brincadeiras para que eles tenham que dividir os brinquedos, mesmo cada um tendo o seu”, conta. O projeto também tem uma parte ecológica. “Mostramos a eles que tudo pode ser transformado em outra coisa, que pode ser reaproveitado, estimulando a preservação do meio ambiente”, afirma Andressa.
Em outra escola de Rio Preto, a Policare, os alunos entre 3 e 6 anos, também fabricam seus brinquedos com material reciclável e ainda colocam em prática outras matérias ensinadas em sala de aula. “Na produção do bonequinho de tampinhas de garrafa pet, nós treinamos as formas geométricas, as cores, quantidade, além do trabalho em equipe”, explica a professora Cláudia Queiroz. Para as professoras, o mais importante é deixar livre a imaginação dos alunos. “Com esse tipo de trabalho em sala de aula, incentivamos o desenvolvimento do lado lúdico das crianças”, afirma a professora Lenita Moura. 

A diretora da escola, Nilvia Paranhos França, acredita que esse tipo de atividade serve como um inibidor do capitalismo atual. “Com essas aulas, nós começamos um trabalho para evitar o consumismo entre os alunos. Queremos ensiná-los a dar valor à parte lúdica das brincadeiras e não à parte material dos brinquedos. Assim, acabamos fazendo com que eles experimentem um pouco como foi a nossa infância.” Os brinquedos artesanais são sucesso entre as crianças. “Eu gosto muito do meu boneco de tampinha, já tem um lugarzinho para ele entre as minhas bonecas”, conta a aluna Giovanna Rizatto Juliani, 6.
O ideal é equilibrar tecnologia e artesanato

Atualmente, as crianças começam a interagir cada vez mais cedo com computadores, videogames e outros brinquedos com recursos eletrônicos. Com isso, brincadeiras de rua acabam ficando esquecidas. “Hoje em dia, as crianças são muito consumistas. Existe um tipo de competição para ver quem tem o brinquedo mais eletrônico, quem tem a tecnologia maior. Antes o lúdico era explorado sem tanta tecnologia. Assim, a criança fica muito materialista”, afirma a psicopedagoga Andréa Della Corte Barros.

Andréa defende a recuperação dos brinquedos artesanais, principalmente os recicláveis. “Esses brinquedos são muito saudáveis para a criança, porque podem trabalhar a questão do reciclado e essa conscientização é muito importante. Além disso, a criança passa a dar mais valor porque é uma coisa feita por ela, mais caseira, mais familiar. Essa construção do brinquedo também ajuda a diminuir o consumismo das crianças de hoje e gera prazer.”

Para a psicopedagoga, projetos que incentivam as crianças a criar seus brinquedos com sucata deveriam ser incluídos no currículo escolar nacional. Mas que os pais não se enganem: o acesso à tecnologia, segundo a educadora, também é muito importante. “A tecnologia não prejudica desde que se tenha limite para usar. O problema hoje é que vemos a criança passar a maior parte do período que não está na escola na frente do videogame. Isso é prejudicial.”

Os educadores afirmam que as crianças que têm contato com a tecnologia desenvolvem um raciocínio e uma coordenação motora mais rapidamente. “A criança que trabalha com esse brinquedo criado por ela não tem tanta preguiça de pensar. Hoje a criatividade das crianças está um pouco comprometida. Os brinquedos fazem tudo por elas, que não precisam mais pensar.

Mas as que fazem seus próprios brinquedos criam mais e desenvolvem essa habilidade imaginativa”, afirma Andréa. O ideal é que o uso de eletrônicos e de brinquedos artesanais seja equilibrado, segundo a educadora. “Os pais que conseguirem encontrar esse equilíbrio conseguirão oferecer os benefícios das duas formas de brincar aos filhos


Por que brincar é importante para as crianças pequenas
Estudos, pesquisas e livros são boas fontes não só para compreender a relevância do brincar como também para proporcioná-lo às crianças. Mergulhe fundo neles!
Brincar é importante para os pequenos e disso você tem certeza. Mas por quê? Sem essa resposta, fica difícil desenvolver um bom trabalho com as turmas de creche e de pré-escola, não é mesmo? Se essa inquietação faz parte do seu dia a dia, sinta-se convidado a estudar o tema. Ele rende pano para manga desde muito, muito tempo atrás. "Os primeiros questionamentos sobre o brincar não estavam relacionados a jogos, brinquedos e brincadeiras, mas focavam a cultura", diz Clélia Cortez, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. 
No fim do século 19, o psicólogo e filósofo francês 
Henri Wallon (1879-1962), o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) e o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934) buscavam compreender como os pequenos se relacionavam com o mundo e como produziam cultura. Até então, a concepção dominante era de que eles não faziam isso. "Investigando essa faceta do universo infantil, eles concluíram que boa parte da comunicação das crianças com o ambiente se dá por meio da brincadeira e que é dessa maneira que elas se expressam culturalmente", explica Clélia.
Wallon foi o primeiro a quebrar os paradigmas da época ao dizer que a aprendizagem não depende apenas do ensino de conteúdos: para que ela ocorra, são necessários afeto e movimento também. Ele afirmava que é preciso ficar atento aos interesses dos pequenos e deixá-los se deslocar livremente para que façam descobertas. Levando em conta que as escolas davam muita importância à inteligência e ao desempenho, propôs que considerassem o ser humano de modo integral. Isso significa introduzir na rotina atividades diversificadas, como jogos. Preocupado com o caráter utilitarista do ensino, Wallon pontuou que a diversão deve ter fins em si mesma, possibilitando às crianças o despertar de capacidades, como a articulação com os colegas, sem preocupações didáticas. 

Já Piaget, focado no que os pequenos pensam sobre tempo, espaço e movimento, estudou como diferem as características do brincar de acordo com as faixas etárias. Ele descobriu que, enquanto os menores fazem descobertas com experimentações e atividades repetitivas, os maiores lidam com o desafio de compreender o outro e traçar regras comuns para as brincadeiras. 

As pesquisas de Vygotsky apontaram que a produção de cultura depende de processos interpessoais. Ou seja, não cabe apenas ao desenvolvimento de um indivíduo, mas às relações dentro de um grupo. Por isso, destacou a importância do professor como mediador e responsável por ampliar o repertório cultural das crianças. Consciente de que elas se comunicam pelo brincar, Vygotsky considerou uma intervenção positiva a apresentação de novas brincadeiras e de instrumentos para enriquecê-las. Ele afirmava que um importante papel da escola é desenvolver a autonomia da turma. E, para ele, esse processo depende de intervenções que coloquem elementos desafiadores nas atividades, possibilitando aos pequenos desenvolver essa habilidade.


Entrevista com Gilles Brougère sobre o aprendizado do brincar
Filósofo francês explica que o jogo é uma construção social que deve ser estruturada desde cedo. E o professor pode enriquecer essa experiência

O que a escola pode fazer para enriquecer o brincar? 

BROUGÈRE 
Acredito que a primeira atitude a tomar é observar. Sem a observação, o enriquecimento não é possível porque não há conhecimento suficiente para tanto. Depois disso, é interessante refletir sobre a qualidade dos espaços destinados às brincadeiras, sejam eles externos ou internos. Outra reflexão importante é sobre como o professor pode favorecer esse enriquecimento. O professor deve ficar de fora da brincadeira? Em que casos pode intervir ou participar do jogo? Não há uma verdade única para essas questões. Tudo depende da percepção do educador, da idade das crianças, das circunstâncias e das condições da escola. Se em algum momento o professor sente que deve propor uma ideia ou indicar o uso de um material capaz de deixar a brincadeira mais interessante, ele não deve se privar disso - desde que tenha em mente que não se trata de obrigar as crianças. 

Que intervenção positiva de um professor é um bom exemplo? 
BROUGÈRE 
Uma colega relatou em um livro uma atividade em que crianças faziam um percurso de bolas de gude com pedaços de madeira. Durante o jogo, o professor percebeu que seria uma pena perder todo aquele esquema montado. Então, ele sugeriu que as crianças registrassem o percurso para poder reconstituí-lo no futuro. E todos aceitaram a proposta com entusiasmo. Ao propor um novo desafio que não fazia parte do jogo, o educador auxiliou a garotada a progredir. E, como as crianças estavam felizes pelo que haviam feito, guardar o registro foi uma forma de valorizar ainda mais o que tinham construído. O papel do professor é propor novas atividades que se baseiam num jogo ou que podem alimentá-lo. Outro bom caminho é propor uma roda de conversa depois de um jogo para que as crianças falem sobre o que aconteceu, sobre o que observaram. Isso não faz parte do jogo em si, mas valoriza o ato de jogar. 

Qual sua opinião sobre a escola oferecer brinquedos de alguma forma ligados à violência, como soldados? 
BROUGÈRE 
Como regra geral, sou contra. E acho que essa é a realidade em quase todos os países. Meus estudos mostram que geralmente predomina a cautela em relação ao que se associa à guerra. Mas há exceções. Lembro que, na Polônia, ninguém evitava os brinquedos de guerra. Lá, eles eram considerados bons porque foi a guerra que permitiu libertar o país da opressão do nazismo. Da mesma forma, acho razoável o movimento contra os brinquedos da moda, ligados à globalização dos mercados ou a determinadas marcas, em detrimento de brinquedos tradicionais, presentes na sociedade há várias gerações. Sou favorável a esse movimento de valorizar os jogos em que as crianças são personagens, atores, e deixar em segundo plano os brinquedos em que elas têm de atuar como diretores. Não quero dizer que esses jogos não têm nada de interessante, mas acho que os primeiros são melhores para o desenvolvimento cognitivo infantil. Os professores precisam estar à vontade com o material à disposição em sala de aula e usá-los para enriquecer a experiência lúdica das crianças.


Projeto É Hora de Brincar resgata costumes e desenvolve valores culturais nas escolas municipais
16/out/2015
A Importância do Brincar para o Desenvolvimento InfantilPara alguns alunos é voltar no tempo. Para outros, uma descoberta. Com o projeto É Hora de Brincar, a Secretaria de Educação e Cultura está resgatando brincadeiras, cantigas e jogos populares nas escolas municipais de Guarapuava. Durante o segundo semestre, a garotada participou de diversas atividades. Este mês, as instituições de ensino estão realizando o encerramento, aproveitando também para comemorar o Dia das Crianças. “Ter a oportunidade de brincar também no ambiente escolar proporciona a criança uma melhor socialização, além de um conhecimento rico em aprendizagem, criatividade e imaginação. Brincar sempre vai ser um direito assegurado às crianças em Guarapuava”, ressalta a secretária de Educação e Cultura, Doraci Senger Luy.
A cada finalização, um gostinho de quero mais. Na Escola Municipal Manoel Moreira, no Distrito da Palmeirinha, a confraternização foi completa. Para comemorar o sucesso do projeto, a equipe pedagógica realizou a exposição dos brinquedos populares produzidos pelos alunos. Peteca, telefone sem fio, pé de lata, vaivêm e bilboquê foram alguns expostos. Além disso, o PSE (Programa Saúde na Escola), coordenado pelas secretarias de Saúde e de Educação e Cultura, realizou atividades físicas e recreativas com os alunos, como aeróbica, pula corda e cabo de guerra, com apoio da Secretaria de Esportes e Recreação. “Todas as atividades realizadas dentro do projeto despertaram neles uma outra realidade, as quais, a maioria não conhecia. Registrar diferentes formas de brincar estimula a transmissão de valores culturais que atravessam as gerações. O projeto alcançou seu objetivo com sucesso”, elogia a diretora da escola, Jucelene Aparecida Bastos Ratuchne.
Trocar vídeo game, computador, tablet ou televisão por um brinquedo considerado comum nem sempre é fácil, porém os alunos da escola Manoel Moreira aceitaram o desafio e gostaram do resultado. “Gostei muito de ajudar a fazer peteca e depois poder jogar com meus colegas”, diz a aluna Tiffany Vitória Bastos Lima, 6 anos. Já Dian Luca Miotto, 8 anos, colocou a mão na massa e ajudou a produzir os pés de lata. “Primeiro a professora pediu para guardar latas de leite que não seriam mais usadas. Depois, com a ajuda dela, fizemos furos e colocamos barbantes. No final da produção, pudemos andar com eles pela escola. Foi muito divertido”, disse o aluno do 3º ano.




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