quarta-feira, 18 de novembro de 2015





ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATIVIDADES
Laudiceia
Liliana
Santa Delia
Rody
 
 
1. Justificativa
 
Ler para bebês é uma prática que se justifica por muitas razões:
- Primeiro, porque ao ouvir um adulto ler, o bebê entra em contato com uma outra dimensão da linguagem: o fluxo da fala que “diz” linguagem escrita, apresenta uma cadência própria e, a depender do livro escolhido, rimas, repetições e ritmos novos.
- Segundo, porque ao ouvir um adulto ler, o bebê também entra em contato com o prazer que o adulto demonstra ao ler, as emoções que sente e expressa, nos tons de surpresa, graça e encantamento que ficam patentes na leitura. Assim, o adulto leitor é um intérprete em muitos níveis: interpreta o texto, apresentando o bebê à linguagem escrita e interpreta também o que se pode obter do texto, apresentando o bebê ao prazer de ler.
-Terceiro, quando garantimos que a leitura faça parte da vida do bebê através da leitura que o professor faz na escola (CEI, Creche), e tenha nela um sentido de prazer e encantamento,criamos as bases para que as crianças ali atendidas possam se desenvolver plenamente como leitoras, ao longo da vida escolar, nos contrapondo a uma divisão entre leitores e não leitores que costuma espelhar uma diferença social entre os que têm a oportunidade de conviver com livros e leitores e aqueles que não a têm.
Mas para que essa prática possa se revestir dos sentidos apontados acima na vida dos bebês é fundamental, que ela seja um hábito, faça parte da sua rotina na escola. Só assim será possível que os bebês desenvolvam familiaridade com os livros, compreendam o que torna esse objeto especial, diferente dos outros que o cercam, desenvolvam um laço afetivo com eles, se interessando em folheá-los e em ouvir sua leitura e possam manter a atenção em escutar a leitura por períodos cada vez maiores.
 

2. Objetivos e conteúdos
 
São objetivos desse projeto:
- Possibilitar que as crianças, desde bebês, possam participar de rodas de leitura, ter contato com histórias belamente escritas e ilustradas e, assim, criar o hábito de escutar a leitura em voz alta realizada pelo professor.

-Apresentar e disponibilizar livros para que as crianças possam explorá-los, folheando-os e, percebendo neles a fonte daquilo que é lido pelo professor.
- Possibilitar que as crianças, desde cedo, familiarizem-se com a linguagem escrita: seu ritmo, sua permanência.
- Possibilitar que as crianças iniciem a construção de seu repertório literário.
 
Conteúdos
-Leitura como uma fonte de prazer e entretenimento.
- Intercâmbio entre leitores.
- Preferências leitoras.
 
3. Público

Esse projeto pode ser desenvolvido em crianças de 0 a 3 anos de idade.
 
4. Prazo e estrutura
Como a leitura para bebês é uma atividade permanente de formação de leitores, o ideal é que ela faça parte da rotina dos bebês durante todo o ano. Para desenvolvê-la serão necessários variados livros de qualidade literária, adequados à faixa etária.
 
5. Etapas de desenvolvimento
Preparo prévio do professor
Para planejar uma boa roda de leitura para bebês, três questões são fundamentais: a escolha de um bom livro, preparar-se para a leitura em voz alta e eleger um espaço acolhedor para a leitura.
A escolha do livro é um aspecto fundamental para conquistar novos leitores. Explore o acervo escolar, na busca de histórias com qualidade literária, que sejam adequadas à faixa etária: ricas em ilustrações, que apresentem narrativas com ritmo e cadência.
 
 
 
AS LIÇÕES DE UMA CRECHE ONDE A INCLUSÃO É REGRA

Convivendo com a diferença, para acabar de vez com o preconceito. Meninos e meninas com deficiência convivem com outras crianças, na mesma creche.
 
ROTINA E APRENDIZAGENS NO BERÇÁRIO
 
Conheça o projeto desenvolvido pela professora Sílvia Ulisses de Jesus, uma das vencedoras do Prêmio Victor Civita 2010. Atuando na creche, uma etapa ainda muito pautada pelo assistencialismo, a professora conseguiu articular as duas dimensões mais importantes da Educação Infantil: o cuidar e o educar.
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PENSAMENTO INFANTIL
 O
 DESENHO INFANTIL
 
O vídeo mostra crianças de 3 a 5 anos que desenham equanto falam sobre suas produções. O desenvolvimento de desenho infantil é pontuado pela educadora Monique Deheinzelin.
 
 
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Melecas na parede, no papel e no corpo todo.
Amassar, rasgar, sentir, cheirar, experimentar e tocar são palavras de ordem para os pequenos
Anna Rachel Ferreira
 
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Contato com uma grande variedade de materiais enriquece a atividade

O primeiro dia com as melecas foi uma farra. A professora colocou as crianças sentadas em roda e apresentou a elas uma goma de água e farinha de trigo cozida. Aos poucos, foi acrescentando anilina e todas se espantaram com a mágica mudança de cor. Fabiana chamava a atenção delas dizendo: "Olhem como está ficando colorida!".

Quando já estavam envolvidas e alvoroçadas, foi hora de colocarem a mão na massa. Elas podiam passar a mistura em cartolinas coladas no chão, mas muitas ficaram felizes apenas sentindo a textura. "Quando um dos pequenos começou a usar a cartolina como apoio, eu perguntei: ‘Alguém mais quer ver como é?’ E aos poucos eles experimentaram o novo suporte".

Denise Lumia, assistente de Fabiana, observou ainda que muitas queriam sentir a textura no corpo e nos cabelos. Uma delas, no entanto, não quis brincar com as melecas, e isso foi respeitado. "Alguns ficam receosos de tocar o que causa estranheza. Em casos como esse, é possível oferecer algum instrumento, como um palito de sorvete, que permita um contato indireto. Mas aos poucos, vendo os colegas, muitas vezes mudam seu comportamento", explica Kátia. Ela também sugere que o professor intervenha com perguntas do tipo: "É possível segurar a meleca com as mãos?", e ver como as crianças tentam resolver a dúvida com materiais mais ou menos líquidos.

Num outro momento, a professora ofereceu uma goma gelada de amido de milho e anilina. "Para que elas notassem a temperatura, dizia que colocassem a mão. Muitas respondiam que estava fria, outros tiravam a mão rapidamente, riam, gritavam, se expressavam mesmo sem falar", conta. Em pé e sobre tapetes de material antiderrapante, elas mergulhavam as mãos nos potes e passavam a mistura nos azulejos do corredor. De tempos em tempos, Fabiana trazia novas cores e chamava a atenção para isso com frases do tipo: "Olhem só, agora temos tinta vermelha!".

A atividade seguinte consistia em fazer uma mistura com farinha, variando a textura e a espessura. Para isso, recipientes com água estavam à disposição dos pequenos. A professora e a auxiliar ficavam sempre por perto, ensinando as crianças a usar a colher para transferir os ingredientes de um lado para o outro. Bonecas, potinhos e caminhões também foram incluídos. A todo momento, elas conversavam sobre as mudanças que ocorriam na mistura e sobre o que os demais estavam fazendo: "Vejam o que o colega de vocês fez agora! Quanta água ele colocou!"

Para realizar as atividades, a educadora buscou ajuda na bibliografia. No livro Aprender e Ensinar na Educação Infantil (Eulália Bassedas, Teresa Huguet e Isabel Solé, 357 págs., Ed. Artmed, tel. 51/3062-3757, 79 reais) leu sobre a importância de estabelecer uma relação próxima com as crianças em atividades como essa. Já em Sabores, Cores, Sons e Aromas (Maria da Graça Souza Horn, 119 págs., Ed. Artmed, 42 reais), viu como preparar o espaço para um desenvolvimento adequado.

As leituras foram produtivas e o trabalho bem-sucedido. No início do ano, seu tempo precisava ser dividido entre questões de relacionamento (resolver conflitos e incentivar a relação entre as crianças) e a atenção para o que os pequenos levavam à boca (embora não sejam tóxicas, as misturas não devem ser comidas). Mas nos últimos meses eles já incluíam os colegas na brincadeira e tinham muitas ideias sobre manipular as melecas sem pensar só em levá-las à boca. Crianças e professora, depois de tantas misturas e experiências, tinham muitas fotos para rever e estavam prontas para novos desafios.
1 Organização geral Planeje o tempo de duração, o local e o material necessário para a atividade permanente, que deve ser proposta com variações. Para isso, pesquise diversas receitas.

2 Parceria em casa Compartilhe o objetivo com os pais e peça que enviem uma roupa extra para os filhos, que vão se sujar.

3 Hora de experimentar No momento da brincadeira, dê oportunidade para os pequenos explorarem as melecas sozinhas ou com os colegas. Incentive o uso de diversos suportes, como as paredes ou papéis no chão. Inclua bonecas, carrinhos ou panelinhas na atividade.

4 Intervir se necessário Durante o trabalho, observe atentamente as reações das crianças e a interação entre elas. Interrompa apenas se precisarem de ajuda ou de materiais que possam proporcionar novos desafios.
 
 
Mãos na argila para ampliar perspectivas
Trabalho com o material ajuda a apresentar o universo da produção tridimensional
Wellington Soares (wellington.soares@fvc.org.br). Editado por Ana Ligia Scachetti
Tweetar da EEEF Ismahaves Barcellos usou a argila após vencer o estranhamento inicial
 
No primeiro contato que os alunos de Alessandra Menegol Tortelli tiveram com a argila, a reação foi de estranhamento. A professora do 2º ano da EEEF Ismael Chaves Barcellos, em Caxias do Sul, a 137 quilômetros de Porto Alegre, conta que eles compararam o material com a massa de modelar, com a qual já estavam mais acostumados. "Ela não tem cheiro bom como a massinha", disse um. "Ela também é fria e bem mais dura", acrescentou outro.

Enfrentar esse espanto inicial é necessário para ampliar o repertório das crianças e apresentar a elas materiais diversificados e técnicas consagradas. "O trabalho com a argila é importante por ser tridimensional, diferente da pintura e do desenho, linguagens bastante comuns nas escolas", ressalta Rosa Iavelberg, docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Maria Morena Godoy, formadora de professores da Comunidade Educativa Cedac, indica que é possível escolher entre dois focos: dar ênfase à experimentação ou aliar essa ação ao estudo da produção de determinado movimento ou período histórico. Seja qual for o caminho, não se pode deixar o processo criativo de lado. É preciso planejar algum momento em que a turma tenha liberdade de manusear o material e elaborar obras com base na imaginação.
 
Alessandra optou por combinar a prática a um estudo sobre a cultura de tribos indígenas da Amazônia que modelam vasos com o barro. Para isso, leu com as crianças uma reportagem que tratava do assunto e apresentou a elas as imagens que ilustravam o texto. "Todas acharam as peças muito bonitas e ficaram empolgadas quando eu disse que desenvolveriam trabalhos no mesmo estilo", conta a docente. Índios habitantes da região em que a escola se localiza produzem vasos semelhantes, que são vendidos nas estradas próximas à aldeia. Por isso, os estudantes já conheciam o material. A técnica usada por essas etnias e aplicada nas aulas que se seguiram se chama acordelado e consiste em moldar o objeto sobrepondo diversos rolinhos (cordões) de argila.

Outras possíveis referências para a turma nesse momento são imagens de esculturas antigas e contemporâneas e obras populares brasileiras. "A produção de um artista específico também pode ser a base de uma proposta desde que o aluno não tenha de fazer uma cópia. A releitura deve dar lugar ao fazer artístico, inspirado pelas peças apresentadas", ressalta Rosa. "Com esses conhecimentos, acrescidos das experimentações, os estudantes começam a compreender a história da Arte de maneira significativa."

Feita a apresentação do tema, Alessandra pediu que cada um trouxesse na aula seguinte meio quilo de argila escolar. Papelarias normalmente fornecem o material já limpo, mas caso ele seja adquirido em olarias é preciso bater a massa para retirar as impurezas (leia outras dicas de manuseio no quadro da página seguinte).

Antes de começar a modelar, os alunos prepararam o ambiente: forraram as mesas com jornais e trouxeram potinhos de água. Por gerar muita sujeira, o ideal é que a atividade não seja feita em sala de aula. A turma de Caxias do Sul ocupou uma cozinha desativada existente na escola, mas ainda assim o esforço da docente foi grande para que tudo ficasse organizado novamente. "Como protegemos a bancada, achei que não haveria muita bagunça. Mas tinha me esquecido do chão, que acabou todo sujo. Poderia ter forrado a sala toda para evitar esse problema."
A garotada pode criar livremente para, depois, preparar a obra final

Tudo preparado, chegou a hora de explorar o material. Nesse primeiro momento, a docente deixou a turma livre para que sentisse a textura e a consistência da argila e testasse fazer os objetos que viessem à sua imaginação. Enquanto isso, ela conduziu uma conversa sobre algumas características da massa. "Perguntei se ela era de origem natural ou havia passado pela manipulação do homem", conta. Para satisfação dela, já que o assunto também vinha sendo abordado nas aulas de Geografia, quase todos acertaram que o material era retirado da natureza.

Ela também comentou sobre a temperatura, o cheiro e a consistência da argila. Explicou que é gelada por causa da água utilizada para amolecê-la e que, quando o líquido evapora, ela vai ficando mais dura até não ser mais possível modelá-la. E acrescentou que o cheiro é ruim (como a turma havia destacado) porque não tem os aromatizantes artificiais que são colocados na massinha, um produto industrializado.

Além de notar essas informações sobre a matéria-prima, é importante que as crianças tenham contato com técnicas que possibilitem incrementar o manuseio. "É bacana elas encararem problemas e bolarem soluções", indica Rosa. Entretanto, nem todas as dificuldades podem ser resolvidas pela meninada. Por isso, há momentos em que você deve apresentar os macetes para auxiliar o grupo e evitar frustrações.

Com o objetivo de colaborar com a classe, a educadora circulou entre os alunos e propôs algumas questões com base no que via. Apontou, por exemplo, que a massa de um deles estava muito dura e perguntou se alguém sabia como amolecê- la. Alguns sugeriram que bastava colocar mais água. Alessandra pediu, então, que eles testassem e todos puderam verificar que de fato dava certo. Mas uma parte da classe exagerou na dose e a peça ficou mole demais. Os que estavam nesse grupo pediram ajuda e aí a docente mostrou que poderiam misturar mais pedaços de argila seca à porção em uso. Ela também fez formas como bolas, rolinhos e quadrados com eles para que vissem como o material poderia ser manuseado. Depois de vencer as dúvidas, todos conseguiram avançar na manipulação e produziram até objetos mais complexos, como camas e bonecos.

Para concluir, a professora retomou os exemplos de arte indígenas apresentados na primeira aula e pediu que as crianças tentassem fazer vasos com base nas referências. Depois de prontos e secos, eles foram pintados com tinta guache. Também é possível, após a pintura, dar mais brilho às peças ao passar uma mão de cola branca ou esfregar uma pedra bem lisa nelas.

Em vez de pedir que todos façam o mesmo objeto - como fez Alessandra -, você pode apostar na diversidade de formas. Nesse caso, retome as lições aprendidas na experimentação do material e solicite que cada um escolha algo a ser produzido. Quando a classe estiver com sua obra pronta, conclua com uma conversa coletiva. "Os alunos comentam, por exemplo, os motivos para a escolha do tema, os procedimentos usados e se já haviam feito trabalhos semelhantes com outras técnicas", complementa Rosa.
Dicas para o manuseio

- Proteção Forre as mesas com um jornal para evitar que o material grude na superfície em que está trabalhando. Caso não tenha papel disponível, você também pode retirar a peça passando um fio de náilon embaixo dela.

- Armazenamento Caso as obras não fiquem prontas num dia, guarde-as num saco plástico. Assim, elas não ressecam e as crianças podem observar, no dia seguinte, as gotas acumuladas, sinal da evaporação da água.

- Consistência A densidade ideal da argila é o chamado ponto de couro, em que ela não está nem muito dura nem muito mole. Deixe as crianças procurarem esse ponto, acrescentando água para amolecer o material.

- Junção Não use palitos para unir pedaços de argila. Se as partes estiverem úmidaMais seguros em relação às técnicas, os alunos capricharam nos objetos produzidoss, é possível grudá-las. Quando estiverem secas, faça pequenas ranhuras e molhe com barbotina (argila, água e vinagre).

Consultoria Maria Morena Godoy e Rosa Iavelberg.
1 Referências que inspiram Apresente para a turma imagens e textos sobre obras feitas com argila. Explique que nas aulas seguintes serão produzidas peças com esse material. Mas atenção: as referências servem de inspiração e não devem ser copiadas.

2 Uma bagunça organizada Prepare uma área da escola que possa receber a turma e forre as mesas e o chão com jornal. Providencie argila suficiente para iniciar o trabalho no encontro seguinte.

3 Autonomia e criatividade Deixe que todos manuseiem o material e criem várias formas. É normal surgirem dificuldades. Apresente técnicas que podem resolvê-las apenas quando a turma não conseguir fazer isso sozinha.

4 Brilho para terminar Defina qual será o produto final, retome os aprendizados da experimentação e reserve um tempo para que cada aluno termine sua obra. Depois de seca, a peça pode ser pintada ou polida.
 
 
Sugestões de atividades com crianças de 3 a 6 anos
 
Algumas atividades que podem ser feitas, que contribuem muito para o desenvolvimento cognitivo da criança, trabalhando sua motricidade fina e ampla, sua ludicidade e também suas noções de lateralidade e coordenação motora. 
 
- Jogos de memória

- Recorte e colagem (papel picado, grãos, contas).

- Rasgar papéis com as mãos.

- Amassar os papéis picados.

- Confecção de colares.

- Pintura a sopro, a dedo e/ou a pincel.

- Massinhas de modelar.
 
- Argila

- Brincar de faz-de-conta.

- Mímicas: rir, chorar, dar gargalhadas, fazer caretas, piscar.

- Dançar.

- Correr com e sem apoio.

- Equilibrar-se num pé só.

- Reconhecer e nomear partes do seu corpo e dos outros.

- Brincar com água, terra, argila,areia, barro.

- Reconhecer os sabores, doce, salgado, amargo, azedo.

- Reconhecer as temperaturas: frio, quente, gelado.

- Participar de brincadeiras rimadas e ritmadas, cantigas de roda, canções folclóricas.

- Dramatizar cenas familiares e histórias curtas e repetidas frequentemente.

- Observar e explorar o ambiente através do tato.

- Identificar formas: quadrado, círculo, triângulo, retângulo.

- Identificar cores.

- Representa, por meio de gestos, sem utilização de objetos,: o fechar portas, calçar sapatos, receber uma visita, cozinhar, lavar, etc.

- Rodinha para conversação.

- Andar imitando um trenzinho, transpondo obstáculos, passando por baixo de mesas eu formarão um túnel, circundar objetos.

- Morto-vivo (jogo)

- Andando, chegar a um ponto determinado na sala, equilibrando um objeto na mão, na cabeça, etc.

- Brincadeiras com bolas, petecas, balões, água, massa para desenvolver a percepção tridimensional, a percepção de distância e orientação espacial.

- Ajudá-la no desenvolvimento do vocabulário, encorajando-a na identificação das atividades realizadas nas tarefas diárias.

- Ensiná-la a identificar as roupas que usa e os diferentes passos no processo de vestir e despir.

- Confecção de bandinha rítmica, para propiciar o canto acompanhado de instrumentos musicais.

- Exercícios para desenvolver a lateralidade ( andar em linha reta; curva; zigue-zague, andar em pistas limitadas com fita, etc...)

- Desenho espontâneo com lápis de cera.

- Fazer como se pedalasse uma bicicleta: pernas duras e flexionadas.
- Utilizar fantoches, teatro de máscaras, teatro de sombra para apresentação (histórias) às crianças.

- Corrida de cavalinho: fazer uma fila com as crianças e colocar pequenos obstáculos como latinhas, saquinhos de areia, espalhados pela área em círculo. Ao sinal de um apito, palmas, as crianças saem correndo procurando saltar os saquinhos.

- Imitar o pulo do sapo, do macaquinho, do coelhinho, o peixinho nadando, a minhoca se arrastando e o som de animais conhecidos.

- Desenhar um caracol no chão, as crianças devem andar em cima da linha, no sentido de ir e voltar.

- Manipulação de material de sucata.

- Conversar com as crianças ao máximo, aproveitando todos os momentos, tendo como temas sua família, seus brinquedos, seus amigos, suas brincadeiras.


Postado por Cris Souza às
 
 
, teatro de máscaras, teatro de sombra para apresentação (histórias) às crianças.

- Corrida de cavalinho: fazer uma fila com as crianças e colocar pequenos obstáculos como latinhas, saquinhos de areia, espalhados pela área em círculo. Ao sinal de um apito, palmas, as crianças saem correndo procurando saltar os saquinhos.

- Imitar o pulo do sapo, do macaquinho, do coelhinho, o peixinho nadando, a minhoca se arrastando e o som de animais conhecidos.

- Desenhar um caracol no chão, as crianças devem andar em cima da linha, no sentido de ir e voltar.

- Manipulação de material de sucata.

- Conversar com as crianças ao máximo, aproveitando todos os momentos, tendo como temas sua família, seus brinquedos, seus amigos, suas brincadeiras.
 


 
 
Brincadeiras com os sons: musicalização para os pequenos
Música é linguagem e forma de conhecimento.
Estamos em contato com ela todos os dias, em vários momentos, principalmente através do rádio, da TV, em gravações, jingles (músicas de propaganda), canções cantaroladas por aqueles com quem convivemos, entre outros.
 
A linguagem musical tem estrutura e características próprias.
O contato da criança com a música se faz nas situações de convívio social, por meio de brincadeiras e manifestações espontâneas e pela intervenção de familiares e professores.
Neste universo expressivo e poético, quais os conteúdos da música adequados para as crianças pequenas?
Música para os pequenos é um processo inicial de descobertas e aprendizagem da linguagem musical e suas características, vivenciadas no cotidiano.
De acordo com o RCNEI[1] [1998] sua presença no contexto da educação infantil se justifica na medida em que é uma das formas importantes de expressão humana. A música é expressa através de conexões do som, silêncios, afetos, leituras, vibração e sensações. São formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, promovendo interação e comunicação social.
§  O que pensar, então, para organizar um percurso de musicalização para as crianças?
§  Quais situações de aprendizagem são adequadas?
§  Podemos identificar atividades iniciais que desenvolvam aspectos importantes da linguagem musical?
As crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e assim começam a aprender as tradições musicais de seu contexto. Cada comunidade familiar, bairro, cidade e região têm suas características e peculiaridades. Em algumas, a música se faz especialmente presente na vida diária e, ainda hoje, é tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as festividades e os momentos próprios a cada manifestação musical.
 
É papel do professor desenvolver seu repertório para possibilitar novas descobertas, oferecendo um ambiente rico em sons, diferentes estilos musicais, ritmos, instrumentos e objetos sonoros, brincadeiras e expressões. Assim o professor precisa conhecer muito para identificar e correlacionar seu repertório com os interesses das crianças. Porém, as crianças são sempre livres para traçar seus próprios caminhos e escolher ou não participar das propostas.
 
São importantes, então, as situações de aprendizagem que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto da criança pela atividade musical e atendem sua necessidade de expressão espontânea neste campo de experiência. Lembramos, como exemplo, as várias brincadeiras infantis como: brincar de roda, ouvir música, aprender uma canção, realizar brincadeiras rítmicas com movimentos corporais, acompanhadas de palmas ou bater dos pés e os tradicionais jogos de mãos[2] das crianças maiores etc.
Aprofundando o olhar para as diferentes e infinitas propostas que podem ser trabalhadas, identificamos alguns dos aspectos do desenvolvimento da criança:
§  a ESCUTA
§  a ATENÇÃO
§  a PERCEPÇÃO de diferenças e semelhanças
§  a IDENTIFICAÇÃO dos sons
BRINCADEIRAS DE ESCUTA E EXPLORAÇÃO DE MATERIAIS
Dicas de propostas de situações lúdicas e gradativas de aprendizagem com foco no desenvolvimento inicial da sensibilização da escuta e da atenção.
§  Escutar os ruídos do ambiente: num passeio pela área externa da creche, chamar a atenção para um ruído de motor, ou o canto de um pássaro, pessoas conversando, por exemplo;
§  Escutar diferentes barulhos e sons: ao escutar um som, identificá-lo nomeando foi um carro; é um avião; foi a campainha; são pessoas etc.;
§  Escutar e movimentar-se na direção da fonte sonora: fazer o som em diferentes lugares, na sala ou área externa e as crianças movimentam-se nessa direção (“procurar de onde vem o som!”);
§   
§  Escutar um ritmo e expressar-se com as mãos e os pés (batendo palmas, marcando o passo etc.);
§  Escutar um ritmo e movimentar-se espontaneamente de acordo (lentamente, rapidamente etc.);
§  Papagaio: fazer a imitação e repetição de sons, como por exemplo, sons de animais (latidos, miados, grunhidos etc.), utilizando imagens;
§  Exploração de diferentes fontes sonoras: pesquisar os sons do corpo, de instrumentos como tambores, chocalhos, paus-de-chuva, guizos, objetos como garrafas, tampas, potes plásticos [transformados em objetos sonoros].
 
De acordo com a professora de música Teca Alencar de Brito:
A criança por natureza gosta de música, brinquedo, poesia, por isso é importante levar até ela o que lhe interessa e o que já conhece, e está presente nas suas brincadeiras, no canto de ninar (acalanto), e em diversas atividades realizadas pelas crianças.
Sabemos que à medida que as crianças crescem e ampliam seu domínio sobre seus movimentos, o modo de expressão característico dessa faixa etária integra gesto, som e movimento. Para o professor de música Koellreutter o fazer musical acontece quando há interação entre a música e o ser. Portanto, aproximadamente a partir dos três anos, as brincadeiras com movimento são fonte de prazer, alegria e possibilidade efetiva para o desenvolvimento motor e rítmico, sintonizados com a música.
E música é cultura! Podemos citar dentre as experiências de alguns povos, as crianças indígenas, quilombolas e mesmo as crianças de comunidades musicais, como os filhos de integrantes de grupos de manifestações Culturais – os diferentes Bois (Boi Bumbá, Boi de Mamão, etc.), Congadas, Maracatus, Siriris, Jongo, Tambores e Escolas de Samba. Levante os estilos e vocações musicais de sua região, pesquise junto com os seus pequenos e até convide esses talentos para se apresentarem para as crianças. É muito provável que haja identificação ou interesse por conhecer outras referências dessa arte tão naturalmente humana.
 
OCEAN é um tambor artesanal que ao ser movimentado lentamente dá a sensação de reproduzir o barulho das ondas do mar. É possível fazer um objeto sonoro semelhante ao OCEAN:
- Material
§  Caixas duras de papelão (de preferência com visor transparente – pode ser caixa de pizza) ou de plástico
§  Sagu
§  Fita adesiva e papeis coloridos para decoração
- Modo de fazer
§  Faça a decoração da caixa
§  preencha seu interior com quantidade suficiente de sagu para que o som fique o mais semelhante possível do mar
§  Feche bem a caixa com fita adesiva, fita dupla-face ou cola quente
 
Para saber mais, leia:
Bibliografia:
RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. MEC/SEF, 1998. Volume 3: Conhecimento de mundo
Música na Educação Infantil: Propostas Para a Formação Integral da Criança de Teca Alencar de Brito
Teca (Maria Teresa) Alencar de Brito é professora de música, autora de diversos livros e artigos na área da educação musical e produtora de vários CDs
Notas:
[1] RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. MEC/SEF, 1998. Volume 3: Conhecimento de mundo.
[2] Os jogos de mãos, tradicionais e presentes em todas as culturas, caracterizam-se pelas brincadeiras rítmicas ou melódicas integrando texto e batimentos com as mãos, realizadas por duplas, trios ou quartetos de crianças. Exemplos: “Eu com as quatro”, “No velho Oeste”, “Fui à China” etc.[RCNEI].
 
 
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Afinal, o que é Arte na Educação Infantil?
Afinal, o que é Arte na Educação Infantil?
O caminho de uma experiência de formação com professores de creche e suas crianças nas atividades de artes visuais, revelou questionamentos que provavelmente acompanham professores de outras creches. Que tal se dividíssemos nossas reflexões aqui? 
Após quase um ano de formação, qualificando o atendimento da creche, adequando os serviços e trabalhando a transição para tornar-se uma creche conveniada à prefeitura, chegamos à etapa de desenvolver conteúdos pedagógicos específicos em serviço, com cada educador e sua turma. As professoras do berçário tinham dúvidas sobre o que trabalhar na linguagem de artes visuais com crianças tão pequenas.
Lançado o desafio, trouxemos uma proposta chamada Arte e os Sentidos e na primeira atividade: EU APERTO, ESPREMO E SINTO TEXTURAS: MELECAS, BEXIGAS E RECHEIOS.
 
Deixamos a sala com espaço livre, colocamos uma lona plástica no chão e sobre ela dispomos em um canto bandejas com meleca de amido coloridas (veja receita abaixo), cumbuquinhas e pazinhas. Em outro canto, colocamos bacias com pequenas bexigas coloridas, algumas cheias com um pouco de farinha e outras com um pouco de água.
Fizemos a introdução da atividade, o desenvolvimento e o encerramento (veja o planejamento no quadro) com crianças e professoras envolvidas e dedicadas por mais de uma hora.
A pesquisa foi intensa. Parte da turma dedicou-se à mistura de amido e lá permaneceu. Explorou a textura, os movimentos de escorrer, passar no corpo, a dureza, a viscosidade e a transferência para os recipientes.
Outras crianças, ainda tímidas à pesquisa mais íntima de materiais viscosos, dedicaram-se de imediato às bexigas coloridas e as sensações de diferentes durezas ao serem apertadas e espremidas. Puderam transferí-las entre recipientes de diferentes tamanhos e, por final, descobriram seus recheios quando perceberam que as bexigas podiam ser rompidas. Sutilmente, uma nova combinação foi introduzida na atividade e a água com farinha, mais rígida e grudenta, surgiu para algumas crianças.
Na segunda proposta levamos tintas e diferentes “pintadores” e papeis: EU EXPERIMENTO PINTAR: olha o que consigo!
 
 
Forramos o chão com lona plástica e, sobre ela, folhas de papel vermelho, amarelo e azul. Colocamos uma bandeja de tinta de cor contrastante perto de cada grupo de papel e um tipo de “pintador”. Aquecemos o foco das crianças e apresentamos os materiais permitindo que explorassem os diferentes pinceis antes de colocar as tintas.
 
A atividade se desenvolveu com interesse e as crianças pintaram mais a si mesmas do que os papeis. Exploraram as esponjas, os rolinhos, os pinceis grossos, as escovinhas de dentes molhadas com tinta e as estopas molhadas. Algumas levaram mais de 20 minutos passando os “pintadores” nos pés, mãos e rosto, sentido a textura e percebendo a tinta colorindo seus corpos.
 
 
No final, tínhamos os registros das fotos, as anotações e as marcas da intensidade emocional nos corações.
Mas… passados os momentos vivos … ficou a dúvida. Brotaram os questionamentos na cabeça das educadoras. Um incômodo que não quer calar:
O que de fato aconteceu?
Cadê a atividade de Artes?
O que as crianças pintaram?
Importantíssimas colocações pedem reflexão!
Como acontece a Arte na Educação Infantil?
O que é esperado para as crianças de 1 a 2 anos de idade?
O que é Arte afinal?
Podemos começar pelos documentos legais, pesquisando este assunto nos Referenciais e Orientações Curriculares da Educação Infantil.
Segundo as Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil, SP, 2007, a expressividade pressupõe, acima de tudo, muita pesquisa e experimentação, e uma grande familiaridade com os materiais e processos que estão implicados nos diferentes fazeres artísticos. (…) Os processos de criação das crianças têm absoluta prioridade na atenção dos professores, e não o produto final daqueles processos. As crianças trabalham a partir de proposições externas (do professor, por exemplo) e de proposições pessoais. (…) A experiência expressiva não depende de uma busca desenfreada a fazer mais e mais. Tão importante quanto fazer, é ver, apreciar, fruir. O tempo de fazer deve ser equilibrado com o tempo de olhar, pensar, imaginar e conhecer processos de produção.(…) Também apresentar e deixar que conheçam novos materiais e diferentes usos e combinações dos mesmos é motivo de investigação criadora: uma ideia leva a outra e assim elas seguem pesquisando e descobrindo efeitos que não lhes foram ensinados anteriormente.
A expressão infantil nas artes visuais acontece em experiências que começam de forma exploratória, isto é, os pequenos agem sobre os materiais descobrindo suas possibilidades por meio de:
§  derramar,
§  arranhar,
§  escorrer,
§  borrifar,
§  sobrepor em camadas,
§  raspar,
§  imprimir,
§  espremer,
§  ver pingar,
§  apertar,
§  cutucar,
§  tocar,
§  mergulhar etc
Essas ações precisam ser repetidas pelas crianças até se transformarem em situação conhecida. Satisfeitas com a interação com os materiais e propostas é que as crianças começam a construir uma vivência artística e criativa mais profunda. É, por exemplo, usando pincéis, tintas e diferentes suportes repetidas vezes que elas se apropriam do fazer e começam a ter intencionalidade na ação de realizar as marcas. Aí surgem os primeiros desenhos e, posteriormente, as narrativas que acompanham as produções.
O documento ressalta também a ideia de organização do cotidiano da creche como atividade permanente, esclarecendo que é aquela que acontece com regularidade (diariamente, uma ou duas vezes por semana, etc.) ao longo de anos. Ela assegura que as crianças tenham mais de uma oportunidade de vivenciar certas experiências que necessitam de mais tempo e de regularidade para apropriação.
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, 2010, as propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil deverão assegurar, entre outras questões, a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural da criança.
Assim, o professor pode perceber os diversos campos de experiência das crianças ao propor uma atividade ou registrar seu desenvolvimento. Mas, na ótica da infância, as experiências não podem ser separadas. Uma atividade no campo das Artes acessa conhecimentos de espacialidade, contraste de cores e tamanhos, por exemplo. Ao desenhar, crianças a partir de dois anos já podem pensar numa narrativa para sua produção. São vários campos sendo trabalhados ao mesmo tempo, sempre!
Uma proposta realizada nesta formação, com uma turma de 3 anos e suas professoras é outro exemplo desse processo de apropriação e desenvolvimento da linguagem artística visual.
Para trabalhar espacialidade e composição tridimensional fizemos uma proposta de duas atividades conectadas: EXPERIÊNCIAS COM O ESPAÇO: TESTANDO A TRIDIMENSIONALIDADE (veja o planejamento no quadro).
Na primeira etapa, a proposta consistia em pintar embalagens de papelão com guache (apenas azul, vermelho e amarelo estavam disponíveis) e pinceis e rolinhos. Em outro dia, com as caixas pintadas e secas, a proposta foi fazer construções (e destruições!).
 
Percebemos, no entanto, que as crianças dessa turma não escolhiam a cor da tinta (qualquer cor servia para a pintura), não faziam desenhos e só queriam preencher os espaços do papel, muitas delas passaram do papel para pintar partes do corpo.
 
Esses indícios são típicos de crianças com pouca vivência com materiais plásticos e expressividade. Portanto, não é uma relação com a idade, mas com a vivência.
Para pensar…
Sabemos reconhecer o que as crianças já sabem, como se expressam, o que gostam de produzir?
Como é o olhar e o escutar do professor para identificar a intenção e o prazer que estão por trás de cada gesto, traço e movimento das crianças?
Podemos pesquisar formas de contribuir com o desenvolvimento da pesquisa e da experimentação delas?
As percepções e o diálogo com os pequenos, quando se transformam em informações para o professor, tornam mais provável acertar ao propor desafios que façam sentido para as crianças. Nesse contexto é possível aguçar a curiosidade com novas formas de apresentar os materiais, organizar o ambiente desafiando os sentidos ou propor novas combinações de materiais, como usar riscadores com suportes inéditos para os pequenos, por exemplo.
O documento ORIENTAÇÕES CURRICULARES Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas de 2007, São Paulo, enfatiza que a “expressividade pressupõe, acima de tudo, muita pesquisa e experimentação [...]”, o que se traduz na prática do professor, em organizar os tempos e espaços para que a pesquisa e a experimentação aconteçam, com variedade de materiais, com tempo suficiente e escolha da criança, de forma individual ou coletivamente.
Para concluir…
A artista e arte-educadora dinamarquesa Anna Marie Holm, em recente visita à São Paulo, destacou a postura do educador em um de seus encontros: Arte com as crianças é um momento e precisamos aprender a estar nesse momento. A história desse momento é que pode ser o produto, quando este acontecer.
 
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LIVRO ESTIMULA BRINCADEIRAS PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA
 
Publicado pelo Instituto Mara Gabrilli (IMG), o livro “Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos” será lançado durante a Reatech, em São Paulo, com uma série de oficinas para pais e educadores.
Incorporar ao cotidiano de pais e educadores a criação de brincadeiras e a produção de brinquedos adaptados para crianças com deficiência é o objetivo do livro “Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos”. Lançamento do Instituto Mara Gabrilli (IMG), a publicação traz em linguagem simples e conteúdo bem produzido o passo-a-passo para adaptar 43 brinquedos e 25 brincadeiras para estimular qualquer pessoa a criar, aprender e ajudar crianças de todas as idades a desenvolver suas capacidades. 
 Com patrocínio da Sanofi, o livro será lançado com uma série de oficinas que serão realizadas durante a Reatech - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que acontece em São Paulo, entre 9 e 12 de abril.
“Estimular o brincar, desde a produção do brinquedo até o exercício da brincadeira propriamente dita é proporcionar bons momentos de diversão, lazer, estímulo sensorial e criativo e interação social. É dar à criança a oportunidade de crescer e se desenvolver de maneira saudável em uma linguagem natural para ela e num ambiente lúdico”, afirma a fundadora do IMG, Mara Gabrill. Ela lembra que é por meio da diversão que a criança desenvolve características como criatividade, inteligência, imaginação, agilidade, coordenação e autonomia. “No caso da criança com deficiência o despertar dessas habilidades é fundamental para um futuro mais autônomo”, finaliza Mara.
Elaborado pela equipe do IMG com consultoria da terapeuta ocupacional Andréa Rossettini, o livro parte do princípio que brincar não tem idade, não tem fronteiras e nem espaço para preconceito e discriminação. Todos os 43 brinquedos, entre eles os tradicionais boliche, cai-não-cai e jogo da memória, e as 25 brincadeiras, como adoletá, telefone sem fio e o mestre pediu, são universais, inclusivos e permitem a participação de quem quiser brincar ou quiser ajudar na brincadeira. Além disso, a confecção é feita com materiais recicláveis e de baixo custo e pode ser realizadas em casa.
Oficinas Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos - Para lançar o livro “Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos”, o Instituto Mara Gabrilli (IMG), promove uma série de oficinas, na Reatech - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, que acontece em São Paulo, entre 9 e 12 de abril. Elas acontecem uma vez por dia, nos dias 10 a 12 de abril das 15 às 17 horas (ver serviço abaixo). Durante as oficinas a terapeuta ocupacional Andréa Rossettini, consultora na elaboração do livro, dará dicas de adaptação de brinquedos e brincadeiras para crianças com diversas deficiências. Ela também irá ensinar na prática a confecção de alguns dos brinquedos e a criação de algumas das brincadeiras apresentadas no livro.
“A partir da incorporação de valores de acessibilidade, inclusão e respeito à diversidade e do estabelecimento de premissas como equidade e autodeterminação, o desenvolvimento de propostas inclusivas aos poucos se torna automático e natural”, afirma a coordenadora geral do IMG, Camila Benvenuto, explicando que as oficinas também abordarão as premissas básicas do livro, que são: respeitar o tempo de cada um e o conhecimento de cada pessoa, combinar com os participantes a melhor forma de tornar a brincadeira inclusiva e proporcionar a mesma oportunidade de experiência para todos os participantes.
Voltada para pais e profissionais de atendimento à pessoa com deficiência, as três edições da oficina são gratuitas, com duração de duas horas e capacidade para 40 pessoas. Todos os participantes da oficina ganham uma edição do livro “Brinquedos e Brincadeiras Inclusivos”.  
Quem tem filhos pequenos sabe que um dos maiores desafios é conseguir ocupá-los nos tempos livres, com atividades criativas e lúdicas – o que leva muitas vezes os pais a investirem bastante dinheiro em jogos e brinquedos que, ao fim de pouco tempo, deixam de ser novidade para as crianças e ficam arrumados nas prateleiras. No entanto, a verdade é que basta um pouco de tinta e de imaginação para que uma tarde em casa seja repleta de diversão!

1. Vamos fazer tinta!

Fazer tintas caseiras é uma daquelas atividades em que os esforços das crianças resultam numa brincadeira bastante engraçada e divertida. Para isso, apenas precisa de 3 colheres de chá de açúcar, ½ colher de chá de sal, 2 copos de água, ½ copo de amido de milho, corantes alimentares e pequenos frascos de conservação ou de iogurte. Reunido o material, será então hora de meter mãos à obra e de pôr a pequenada a fabricar as suas próprias tintas: junte o açúcar, o sal, o amido de milho e a água num tacho e leve ao lume, misturando até se formar um creme homogéneo. Depois, é só deixar arrefecer e distribuir a mistura nos frascos, onde irá adicionar os corantes alimentares, que lhe irão atribuir as cores que desejarem.

2. Pintura com os dedos

Se há coisa de que as crianças gostam é de sujar as mãos com tinta. Por isso, compre algumas telas e deixe que os seus filhos deem largas à imaginação, fazendo das suas mãos os pincéis com que irão criar verdadeiras obras de arte. Terminadas as pinturas, podem fazer uma exposição nas paredes da sala ou oferecer algumas das telas aos familiares mais próximos.

3. Pegadas divertidas

As crianças vão adorar e divertir-se bastante com esta atividade, sendo que só o fato de pintarem os pés com tinta já irá causar o maior impacto! Deixe muitos papéis ou jornais velhos espalhados pelo chão e divirta-se com as crianças, a estampar os pés vezes sem conta, criando pinturas verdadeiramente abstratas. 

4. Pintura com os pés

Agora que os pequenos pés já estão sujos, que tal fazer uma pintura usando apenas os pés das crianças? Aqui, elas terão de pintar diretamente com um pincel que será colocado nos dedos dos pés – prometem-se horas de gargalhada total!

5. Desenho mágico com guaches

Qual é a criança que não gosta de um verdadeiro truque de magia? Por isso, convide os mais pequenos a pegar numa folha branca e a fazer um desenho com um giz branco – que, à primeira vista, não deixará qualquer marca. A seguir, a folha deverá ser pintada com guaches: o desenho inicialmente pintado irá aparecer por baixo das cores, como um verdadeiro truque de magia!

6. Guerra de balões de tinta

Se for verão e a sua casa tiver um espaço exterior, esta vai ser a atividade preferida das crianças. Encha balões de água com tintas laváveis e convide os miúdos a vestirem os seus fatos de banho. Depois, informe que vai dar início a uma guerra de balões, que devem ser rebentados nos corpos, pintando-os assim de todas as cores.

7. Pintura com moldes

Arranje uma esponja grande e corte-a em pequenos moldes de formas variadas: corações, flores, casas ou animais. Depois, é só molhar cada molde em boiões de tinta e aplicá-los numa folha de papel branco para criar pequenas obras de arte. 

8. Pinturas faciais

Não há criança que não goste de pinturas faciais. Por isso, compre alguns boiões de tintas para o rosto (encontram-se facilmente na maioria das lojas de puericultura) e inspire-se em sites que demonstram como fazer pinturas faciais em crianças, caso deste vídeo. A seguir, é só dar largas à imaginação e transformar qualquer menina numa Hello Kitty ou um menino num homem aranha. Uma atividade que pode ainda ser incorporada nas festas infantis!  

9. Identificação de cores com tinta

Esta é uma atividade muito interessante para estimular a memória das crianças, principalmente na altura em que se encontram a aprender os nomes das cores. Use figuras e peça às crianças para as pintarem com a cor que especificar, estimulando assim não só a coordenação motora, como também o desenvolvimento cognitivo dos mais novos.

10. Pintura de canecas personalizadas

E aqui terá um verdadeiro “dois em um”: as crianças divertem-se e os pais obtêm as prendas ideias para ofereceram aos avós no Natal ou nos seus aniversários. Compre algumas canecas brancas, incentive as crianças a decorá-las com os mais diversos tipos de tintas e surpreenda-se com o orgulho que elas vão sentir por terem produzido elas mesmas os presentes que vão oferecer às pessoas que lhes são mais queridas.
Depois destes conselhos, ainda julga difícil entreter as crianças em casa? Arriscamo-nos a dizer que, com criatividade e tintas, a diversão não será apenas para os mais novos!
 

 
 
 
Exploração de texturas e melecas
Publicado por 
Nova escola
Objetivo(s) 
- Explorar texturas de tintas e melecas.
- Utilizar diferentes instrumentos para pintura.
Ano(s) 
Creche
Tempo estimado 
Durante todo o ano, ao menos uma vez por semana.
Material necessário 
Bacias grandes, utensílios de cozinha como coadores, espátulas, colheres, escumadeiras, pratinhos e vasilhas de diferentes tamanhos. Pincéis, brochinhas, rolinhos de pintor, esponjas e suportes grandes, como papéis, tecidos lisos, plásticos e caixas de papelão. Farinha de trigo, gelatina em pó com cores fortes, amido de milho, corante comestível (anilina) e natural, feitos com frutas e geleias, para preparar tintas e massas (para cada xícara de água morna, acrescente uma de amido de milho e um pacote de gelatina. É possível variar a densidade da meleca acrescentando mais água ou mais farinha. Para mudar as cores, acrescente o corante.
Desenvolvimento 
1ª etapa 
As experimentações com as tintas podem ocorrer na sala, em uma oficina de artes ou em espaços externos. Monte o local deixando à mão tudo o que será necessário para o andamento da proposta, pois assim você pode ficar mais atento às crianças e suas explorações. Forre o piso (se estiver num espaço de uso coletivo ou sala) e ofereça papéis no chão, na mesinha ou na parede para que deixem marcas. Coloque o material ao alcance de todos e deixe as crianças de fraldas ou roupas que possam sujar. Planeje também como será a arrumação ao fim da atividade: onde serão colocadas as produções? Quem ajudará na limpeza e no atendimento às crianças? Quem documentará a atividade? Planeje como mostrar os primeiros resultados da atividade, incluindo as fotos, às famílias. Assim, todos poderão participar, mesmo que indiretamente.
2ª etapa 
Apresente os materiais aos bebês. É importante que eles diferenciem os momentos de trabalho daqueles de alimentação. Por isso, não os incentive a comer durante as atividades, mesmo que os materiais sejam comestíveis. Mostre o que poderão fazer com as tintas. Inicie utilizando apenas água e depois amplie para misturas e melecas, como massas de amido ou farinha com corantes ou gelatinas. Ao acrescentar uma cor forte, pergunte: "Estão vendo como a cor mudou?" Para os mais crescidos, é possível introduzir terra, areia, folhas e sementes. Se fizer uma tinta de gelatina, por exemplo, deixe que cheirem, toquem e brinquem. É importante que eles se familiarizem com os materiais de apoio antes de a atividade começar - uma bacia pode ser tão interessante quanto seu conteúdo. O foco da atividade, porém, deve ser exploração de texturas.
3ª etapa 
Convide o grupo a explorar as propriedades e possibilidades dos materiais. É possível organizar, por exemplo, uma atividade para explorar texturas de determinado material ou então uma para que os pequenos utilizem mais um tipo de instrumento, como o pincel, a brochinha e o rolinho de pintor. Nesse momento, diga: "Veja como com o rolinho você pinta uma área maior. Com o pincel, só dá para fazer um risco". Vale testar também as diferenças entre pintar com as mãos, que dá mais controle, ou com os pés, com pincéis e rolinhos, que tendem a ser mais difíceis de controlar.
Avaliação 
Observe atentamente durante todo o processo. Isso dará indícios de como propor as próximas atividades. Em alguns casos, vale fazer pautas de observação individual, pois cada criança pode apresentar formas muito distintas de aproximação dos materiais: algumas se lambuzam logo no primeiro dia e aos poucos vão se concentrando em explorações mais definidas. Outras demoram mais tempo para se soltar e há ainda as que insistem em pesquisas específicas de cores, misturas ou ocupação dos suportes etc. No dia seguinte ao trabalho, retome com o processo documentado, conversando com todos para ver se lembram de quais os materiais e utensílios foram usados em cada atividade.
Flexibilização 
Para trabalhar com bebês com deficiência física nos membros superiores, envolva os rolinhos e os pincéis em espuma. Isso vai ajudar os pequenos a ter mais firmeza na hora de fazer as primeiras pinturas. Você pode fixar papeis em pranchetas inclinadas e colocar em frente ao bebê ou fazer com que a criança crie suas próprias estratégias para pintar nos papeis fixados no chão. Estimule que ela pinte com os pés junto dos colegas e deixe as tintas em lugares acessíveis e próximos da criança com deficiência. Os outros bebês também ajudam a criança a segurar alguns objetos ou alcançar os potes de tinta.
Deficiências 
Física
 
 

A importância das atividades lúdicas no universo da educação infantil

Ângela da Conceição Pena¹
Maria Augusta Lima das Neves²
RESUMO
Os jogos, brinquedos e brincadeiras são inerentes ao universo infantil, sendo assim, o artrigo intitulado “A importância das atividades lúdicas no universo da educação infantil” pretende investigar como a ludicidade contribui para a construção do conhecimento na educação infantil. A metodologia adotada para realização desta pesquisa foi de cunho bibliográfico e de campo, por meio de consulta a autores que já possuem uma discussão neste campo, bem como a registros documentais, artigos científicos dentre outros. Quanto a pesquisa de campo utilizou-se um a técnica de observação assistemática. A pesquisa teve uma abordagem quantitativa e qualitativa, a partir da aplicação de questionários constituídos de perguntas objetivas e subjetivas para cada categoria (gestores, docentes e pais), dos quais os dados obtidos foram analisados por categoria. Adotou-se o método descritivo interpretativo para análise da pesquisa de campo. Percebeu-se que os atores escolares que fizeram parte desta pesquisa possuem uma compreensão sobre a importância do lúdico na educação infantil, entretanto o grupo dos pais demonstrou desconhecimento a respeito do assunto, porém, reconheceu a relevância deste recurso na construção so conhecimento e que a falta de informação sobre a temática em foco acaba por fazer alguns pais não consideração que este recurso contribui de forma dinamizadora no processo ensino aprendizagem na educação infantil. Portanto, concluiu-se por meio das atividades lúdicas, a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo onde está inserida, aprende a respeitar o outro, a obedecer comandos, estabelece relações sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente.
PALAVRAS-CHAVE: Lúdico. Ensino Aprendizagem. Desenvolvimento.
1 JUSTIFICATIVA
O trabalho sobre o lúdico na Educação Infantil objetiva investigar como as atividades lúdica contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem. A atividade lúdica desenvolve na criança várias habilidades como a atenção, memorização, imaginação, enfim, todos os aspectos básicos para o processo da aprendizagem, que está em formação.
Sendo a educação infantil a base da formação sócio educacional de todo cidadão, o lúdico se constitui num recurso pedagógico eficaz que envolve o aluno nas atividades, permitindo a criança se desenvolver cognitivamente.
Valorizando o trabalho com jogos e brinquedos, os professores terão uma ferramenta indispensável para o trabalho cotidiano na aprendizagem de seus alunos.
Todas as atividades em que as crianças necessitam de atenção e concentração ao participarem dos jogos e brincadeiras auxiliam no amadurecimento cognitivo, conseguintemente o Lúdico também pode servir de estímulo para o desenvolvimento da criança.
2 O LÚDICO NO CENÁRIO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
O lúdico é importante na educação infantil pois é através dele que a criança vem a desenvolver habilidades para a aprendizagem se efetivar.
A educação lúdica sempre esteve presente em todas as épocas entre os povos e estudiosos, sendo de grande importância no desenvolvimento do ser humano na educação infantil e na sociedade.
Os jogos e brinquedos sempre estiveram presentes no ser humano desde a antiguidade, mas nos dias de hoje a visão sobre o lúdico é diferente. Implicam-se o seu uso e em diferentes estratégias em torno da pratica no cotidiano.
Para que o lúdico contribua na construção do conhecimento faz-se necessário que o educador direcione toda a atividade e estabeleça os objetivos fazendo com que a brincadeira tenha um caráter pedagógico e não uma mera brincadeira, promovendo, assim, interação social e o desenvolvimento de habilidades intelectivas.
2.1 Contexto Histórico da Ludicidade
A história da humanidade a partir da Idade Média mostra que os jogos, embora sempre presentes nas atividades sócio educacionais, não eram vistos como um recurso pedagógico capaz de promover a aprendizagem, mas tendo como foco as atividades recreativas. Ariés (1981) afirma que:
Na Idade Média, os jogos eram basicamente destinados aos homens, visto que as mulheres e as crianças não eram consideradas cidadãos e, por conseguinte, estando sempre à margem, não participavam de todas as atividades organizadas pela sociedade. Porém, em algumas ocasiões nas quais eram realizadas as festas da comunidade, o jogo funcionava como um grande elemento de união entre as pessoas.
Ariés, relata que apenas os homens tinham o privilegio de participar dos jogos, pois nesse período as mulheres e as crianças não exerciam esse direito, por não serem considerados cidadãos. Na Idade Média as crianças eram vistas como adultos em miniaturas e tinham que trabalhar, raramente os meninos eram inseridos nas brincadeiras.
Apesar de todas essas restrições, nos momentos festivos os jogos eram considerados um instrumento de união e integração entre a comunidade.
No Renascimento, inicia-se o período no qual uma nova concepção de infância desponta e tem como características o desenvolvimento da inteligência mediante o brincar, alterando a ideia anterior de que o jogo era somente uma distração.
Sobre isto, Kishimoto (2002, p. 62) afirma que:
O renascimento vê a brincadeira como conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligêncio e facilita o estudo. Por isso, foi adotada como instrumento de aprendizagem de conteúdos escolares. Para se contrapor aos processos verbalistas de ensino, à palmatória vigente, o pedagogo deveria dar forma lúdica aos conteúdos.
A autora confirma a informação de que durante o Renascimento o jogo serviu para divulgar princípios de moral, ética e conteúdos de áreas como história e geografia, com base de que o lúdico era uma conduta livre que favorecia o desenvolvimento da inteligência, facilitando o estudo. Iniciando um processo de entendimento por parte das sociedades, com relação a algumas especificidades infantis, mudando a concepção de que as crianças eram adultas em miniatura.
No Romantismo o jogo aparece como conduta típica e espontânea da criança, que com sua consciência poética do mundo, reconhece a mesma como uma natureza boa, mais que um ser em desenvolvimento com características próprias, embora passageiras, a criança é vista como um ser que imita e brinca dotada de espontaneidade e liberdade, semelhante à alma do poeta.
Froebel 1913, foi influenciado pelo grande movimento de seu tempo em favor do jogo. Ao elaborar sua teoria da lei da conexão interna, percebe que o jogo resulta em benefícios intelectuais, morais e físicos e o constitui como elemento importante no desenvolvimento integral da criança.
Nesse contexto, o lúdico torna-se uma das formas adequadas para a aprendizagem dos conteúdos escolares, em que o professor deverá usá-lo como uma ferramenta fundamental na prática pedagógica.
O lúdico no contexto histórico do Brasil surgiu por meio de raízes folclóricas nos quais diversos estudos clássicos apontam que as origens brasileiras são provenientes da mistura de três raças, negros, índios e portugueses, durante o processo de sua colonização.
Em virtude da ampla miscigenação étnica, a partir do primeiro grupo de colonização, fica difícil precisar a contribuição especifica de brancos, negros e índios nos jogos tradicionais infantis atuais no Brasil.
É bastante conhecida a influencia portuguesa através de versos, advinhas e parlendas. Sobre isso Kishimoto (2002, p.22), afirma que:
Desde os primórdios da colonização a criança brasileira vem sendo ninada com cantigas de origem portuguesas. E grande parte dos jogos tradicionais popularizados no mundo inteiro como, jogo o de saquinho (ossinho), amarelinha, bolinha de gude, jogo de botão, pião e outros, chegou ao Brasil, sem dúvida por intermédio dos primeiros portugueses. Posteriormente, no Brasil receberam novas influencias aglutinando-se com outros elementos folclóricos como, o do povo negro e do índio.
Kishimoto relata que as brincadeiras e as cantigas, que fazem parte da cultura brasileira, receberam fortes influências dos portugueses, não descartando a contribuição de outras culturas de povos, como a do negro e do índio.
Muitos pesquisadores denominam o século XXI como o século da ludicidade. Período que a diversão, lazer e entretenimento apresentam-se como condições muito pesquisadas pela sociedade. E por tornar-se a dimensão lúdica alvo de tantas atenções e desejos, faz-se necessário e fundamental resgatar sua essência, dedicando estudos e pesquisas no sentido de evocar seu real significado. Dalla Valle, (2010, p.22) relata que:
independente do tempo histórico; o ato de brincar possibilita uma ordenação da realidade, uma oportunidade de lidar com regras e manifestações culturais, além de lidar com outro, seus anseios, experimentando sensações de perda e vitória.
Dalla Valle, considera que a importância do brincar não depende do espaço e nem do tempo o qual está inserido, em qualquer contexto desempenha muito bem seu papel de oportunizar a criança à compreensão de regras, de estar em grupo e poder absorver para sua vida manifestações culturais e emoções novas por meio das brincadeiras infantis.
É por isso que a proposta de incluir as atividades lúdicas na educação infantil vem sendo discutida por muitos pensadores e educadores, bem como que a formação do educador seja de total responsabilidade pela permanência do aluno na escola, para adquirir valores, melhorar os relacionamentos entre os colegas na sociedade, que é um direito de todos.
O sentido real, verdadeiro, funcional, da educação lúdica estará garantido se o educador estiver preparado para realizá-lo. Nada será feito se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levar isso adiante (ALMEIDA, 2000, p.63).
Encontra-se, nos dias de hoje, lugares que ainda não colocaram em seu cotidiano atividades lúdicas para enriquecer as ferramentas para o processo de ensino e aprendizagem. A educação lúdica, que sempre esteve presente em todas as épocas, é ainda desvalorizado em algumas instituições, defasando o processo de construção de conhecimento.
2.2 Os Vários Olhares Sobre a Ludicidade
Existem muitos olhares, e muitos contares, de pessoas que vivem, pensam e escrevem sobre a ludicidade, nos possibilitando ter ideias do papel e da importância deste termo tão discutido e utilizado na educação infantil.
Evoluímos muito no discurso acerca do brincar e reconhecemos cada vez mais seu significado para a criança e suas possibilidades nas áreas da educação, cultura e lazer. Abordaremos aqui três Teorias: a Sociantropológica, Filosófica e Psicológica, como exemplos desta vastidão de “olhares’ sobre a ludicidade”.
Nesses “vários olhares sobre a ludicidade” percebe-se que não há uma concordância entre suas ideias, muito pelo contrário, as dissonâncias foram fundamentais para que houvesse diferentes embasamentos teórico-metodológico que sustentaram suas obras.
Nas teorias Socioantropológicas verifica-se o ato de brincar como uma ação psicológica onde o brincar seria oposto a realidade. Sobre isto Brougère afirma:
Brincar é visto como um mecanismo psicológico que garante ao sujeito manter certa distância em relação ao real, fiel na concepção de Freud, que vê no brincar o modelo do princípio de prazer oposto ao princípio da realidade. Brincar torna-se o arquétipo de toda atividade cultural que, como a arte, não se limita a uma relação simples como o real. (O Brincar e suas teorias, 2002, p.19)
Essa concepção traduz a psciologização contemporânea do brincar, ou seja, tenta justificar a necessidade de um individuo de se isolar das influências do mundo, durante uma brincadeira.
Ainda sobre esta concepção Brougère afirma:
Concepções como essas apresentam o defeito de não levar em conta a dimensão social da atividade humana que o jogo, tanto quanto outros comportamentos não podem descartar. Brincar não é uma dinâmica interna do indivíduo, mas uma atividade dotada de uma significação social precisa que, como outras, necessitam de aprendizagem. (O Brincar e suas teorias, 2002, p.20)
A concepção socioantropológica também garante que o processo de aprendizagem é que torna possível o ato de brincar, pois afirma que antes que a criança brinque ela tem que aprender a brincar, reconhecendo assim certas características essenciais do jogo, como o aspecto fictício que possui alguns deles. A respeito disto, Brougère, afirma:
Há, portanto, estruturas preexistentes que definem a atividade lúdica em geral, e cada brincadeira em particular, e a criança as aprende antes de utiliza-la em novos contextos, sozinha, ou em brincadeiras solitárias, ou então com outras crianças. (O Brincar e suas teorias, 2002, p.22)
Após essa rápida análise da teoria Socioantropológica, percebe-se que para ela o jogo é antes de tudo um lugar de construção de uma cultura lúdica e que para o jogo existir tem que haver uma cultura pré-existente a ele.
É dentro do quadro do Romantismo que o jogo aparece como conduta típica e espontânea da criança. Nascendo neste período as Teorias filosóficas, onde podemos citar como um dos maiores contribuintes desta teoria o Filósofo Froebel, reconhecido como o “psicólogo da infância”, ele acreditou na criança, enalteceu sua perfeição, valorizou sua liberdade e desejou a expressão na natureza infantil por meio de brincadeiras livres e espontâneas.
Sobre isto Kishimoto afirma que Froebel:
Sustenta que a repreensão e a ausência de liberdade à criança impedem a ação estimuladora da atividade espontânea, considerada elemento essencial no desenvolvimento físico, intelectual e moral. (O Brincar e suas teorias, p.60)
De acordo com a afirmação acima se percebe o quanto é importante para a criança que está em fase de desenvolvimento a liberdade de brincar, de experimentar, e de ter a oportunidade de criar e recriar, possibilitando-a desenvolver suas habilidades físicas, intelectuais e morais.
Sobre esta teoria e sobre a prática froebeliana há quem afirme que teria havido uma ruptura da prática à passagem a prática, pós haveria jardineiras comandando a cultura infantil a partir de orientações minuciosas, destinadas à aquisição de conteúdos escolares.
E, por fim, as Teorias Psicológicas comtemplam a concepção de que toda a atividade é lúdica desde que ela exerça por si mesma (pela criança), sem que seja pressionada por outro individuo.
Segundo Dantas, esta teoria é marcada pela dialética Walloniana, que afirma-se simultaneamente um estado atual e uma tendência futura: as atividades surgem liberadas, livres, exercendo-se pelo simples prazer que encontram em fazê-lo.(O Brincar e suas teorias, 2002, p.113).
Como exemplo de uma ação que esta dentro desta concepção é o ato do andar de um bebê, como afirma Heloysa Dantas: em certo sentido, pode-se dizer que toda a motricidade infantil é lúdica, marcada por uma expressividade que supera de longe a instrumentalidade. (O Brincar e suas teorias, 2002, p. 114)
O que compreende a revolução do brincar, esta teoria afirma que não somente durante a fase de um bebê que ocorre o mesmo padrão lúdico, mas se repete mais tarde em novos patamares do desenvolvimento. Como afirma Heloysa Dantas, o grafismo é um bom exemplo de anterioridade do gesto em relação à intenção: a criança de três a quatro anos dirá que ainda não sabe o que esta desenhando, por que ainda não acabou.(O Brincar e suas teorias, 2002, p.116)
Esta concepção também busca justificar o porquê de que as crianças têm facilidades em aprender a manusear certos objetos, o qual os adultos encontram dificuldades. De acordo com Dantas, brincar com palavras, com letras, com o computador: manuseá-los livremente, ludicamente, antes de dar a este manuseio um caráter instrumental.[...] as crianças aprendem informática mais depressa do que os adultos brincam com o computador, antes de tentar “usa-lo para”. (O Brincar e suas teorias, 2002, p.116)
Nesta teoria reforça-se a ideia de que o brincar aproxima-se de fazer arte, como afirma Heloysa Dantas:
Pela reiteração do termo brincar quero sublinhar o caráter caprichoso e gratuito destas atividades, em que o adulto propõe mas não impõe, convida mas não obriga, mantém a liberdade através da oferta de possibilidades alternativas. (O Brincar e suas teorias, p. 117)
Dentro desta concepção também estão envolvidos relações entre o jogo e o trabalho, sobre isso, Heloysa Dantas afirma que, para Dewey o trabalho aparece como objetivação do pensamento, como aquela atividade que pode adicionar ao prazer do processo o beneficio do produto. (O Brincar e suas teorias, p.118)
Esta concepção afirma que o jogo tem o fator decisivo para assegurar o desenvolvimento natural da criança, após relata que todos os povos em todos os tempos contaram com os jogos como parte importante da educação de crianças, especialmente de crianças pequenas.
2.3 Brinquedoteca: Um Espaço de Construção do Lúdico.
As brinquedotecas no Brasil começaram a surgir nos anos 80. Como toda ideia nova, apesar do encantamento que desperta, tem que enfrentar dificuldades não somente para conseguir sobreviver economicamente, mas também para se impor como instituição reconhecida e valorizada a nível educacional.
A incorporação do jogo como recurso para desenvolver e educar a criança, especialmente da faixa pré-escolar, cresce paralelamente à expansão de creches, estimulada por movimentos sociais de reivindicações populares. Cunha (2009, p.13) afirma que:
Dento do contexto social brasileiro, a oportunização do brincar assumiu, através da brinquedoteca, características próprias, voltadas para a necessidade de melhor atender as crianças e as famílias brasileiras. Como consequência deste fato, seu papel dentro do campo da educação cresceu e hoje podemos afirmar, com segurança, que ela é um agente de mudança do ponto de vista educacional.
Cunha relata que no Brasil as Brinquedotecas vêm ganhando espaço no contexto educacional, melhorando significativamente o aprendizado, com características específicas, como o brincar livremente com finalidade educativa, atendendo as necessidades da comunidade escolar.
A mesma tem como objetivo proporcionar estímulos para que a criança possa brincar livremente e, por ser um local onde as crianças permanecem por algumas horas, é um espaço onde acontece uma interação educacional. E as pessoas que trabalham na brinquedoteca são educadores preocupados com a felicidade e com o desenvolvimento emocional, social e intelectual das crianças.
FROEBEL (1912, p.) concebe o brincar como “atividade livre e espontânea, responsável pelo desenvolvimento físico, moral, cognitivo. E os dons e brinquedos como objetos que subsidiam as atividades infantis.”
De acordo com Froebel, por meio da atividade livre, que as Brinquedotecas podem proporcionar, a criança desenvolve sua estrutura física e psíquica, permitindo que a mesma cresça livremente. Já os brinquedos irão ajudar na realização das atividades que serão aplicadas. E assim a criança aprende com aquilo que lhe é natural, o brincar.
Segundo Nylse Helena da Silva Cunha, Presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABB):
A Brinquedoteca é um espaço preparado para estimular a criança a brincar, possibilitando o acesso a uma grande variedade de brinquedos, dentro de um ambiente especialmente lúdico. É um lugar onde tudo convida a explorar, a sentir, a experimentar.
De acordo com Cunha a Brinquedoteca proporciona a criança estímulos para que ela possa desenvolver suas capacidades, permitindo que mesma tenha acesso a brinquedos diversificados em um ambiente apropriado e cheio de atrativos, onde ela possa explorar e se desenvolver cognitivamente.
Ressalta-se, então, a importância da brinquedoteca no meio educacional como espaço que propicia diversos estímulos num momento tão decisivo como a infância, pois é nesta fase que ocorre o desenvolvimento harmonioso e consciente do educando, o que permite ampliar suas habilidades e capacidades de forma global.
Pode-se dizer que a Brinquedoteca é um espaço que permite, na contemporaneidade, o resgate em vivenciar o lúdico esquecido pelas pessoas, e negado às crianças. Mas, acima de tudo, como destaca CUNHA (2001, p. 16), ela tem a função de "fazer as crianças felizes, este é o objetivo mais importante".
Cunha afirma que a Brinquedoteca proporciona à criança a felicidade do brincar de forma livre e muito significativa para o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.
A principal implicação educacional da Brinquedoteca é a valorização da atividade lúdica, que tem como consequência o respeito às necessidades afetivas da criança. Promovendo o respeito à criança, contribui para diminuir a opressão dos sistemas educacionais extremamente rígidos.
Além de resgatar o direito à infância, a brinquedoteca tenta salvar a criatividade e a espontaneidade da criança, tão ameaçada pela tecnologia educacional de massa. Nos últimos anos, a tecnologia e a ciência obtiveram avanços significativos sob todos os âmbitos, refletidos na sociedade atual. Mas, no que tange à infância e o desenvolvimento da criança, houve progressos e regressos.
O brincar, por exemplo, faz parte e interfere no desenvolvimento das crianças, e progressivamente, estudiosos da área da Psicologia, da Pedagogia e outras ciências, reconheceram a relevância do brincar para o desenvolvimento global das crianças.
Todavia, ocorreram regressos quanto ao espaço, tempo, objetos, condições de segurança, de liberdade e o convívio social que comprometeram as brincadeiras na fase infantil devido ao surgimento da modernidade e avanços tecnológicos.
Santos (2009, p.55) relata que:
brinquedo industrializado é projetado pelo adulto para a criança, conforme concepção que o adulto possui, não cabendo a criança criar ou acrescentar nada e, em muitos momentos, devido ao alto custo do objeto, nem mesmo brincar com liberdade. Quando o brinquedo é oferecido como prova de status, para satisfazer a vaidade do adulto, as recomendações quanto ao uso são tantas, que restringem a atividade lúdica.
Segundo Santos muitos brinquedos tecnológicos, que geralmente vem com muitas funções que só um adulto consegue manipular, inibem o desenvolvimento da criança, pois limitam a criatividade e a liberdade da mesma. E pelo fato de muitas vezes este brinquedo ter um alto custo, o adulto acaba fazendo muitas recomendações restringindo o ato de brincar.
2.4 As Brincadeiras e as Novas Tecnologias
As brincadeiras despertam nas crianças várias ações ao concretizar as regras do jogo, sejam elas quais forem as mesmas procuram se envolver nessa brincadeira, e em relação ao lúdico os brinquedos e as brincadeiras relacionam-se diretamente com a criança, porém, não se confundem com o jogo, que aparece com significações opostas e contraditórias, visto que a brincadeira se destaca como uma ação livre e sendo supervisionada pelo adulto.
Diante disto Pinto (2003, p.27) afirma que:
Brinquedos e brincadeiras aparecem com significações opostas e contraditórias: a brincadeira é vista como uma ação livre, já o brinquedo expressa qualquer objeto que serve de suporte para as brincadeiras livre ou fica atrelado ao ensino de conteúdos escolares.
Para a autora esse elementos que constituem o brinquedo e a brincadeira são definidas como regras preestabelecidas que exigem certas habilidades das crianças. Entretanto, a brincadeira é uma ação que não exige um objeto-brinquedo para acontecer, é jogando que elas constroem conhecimentos que ajudará no seu desempenho escolar. Ao brincar a criança faz uma releitura do seu contexto sociocultural, em que a mesma amplia, modifica, cria e recria por meio dos papeis que irão representar.
Portanto, é fundamental a utilização das brincadeiras e dos jogos no processo ensino pedagógico, diante dos conteúdos que podem ser ensinados por intermédio de atividades lúdicas em que a criança fica em contato com diferentes atividades, manipulando vários materiais, tais como jogos educativos, os didáticos, os jogos de construção e os apoios de expressão.
Considerando esses fatores, o desenvolvimento da diversidade de materiais obriga a necessidade de adequar os mesmos, quanto ao espaço da brincadeira contribui para o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional, social e moral, sem que se perca a característica do brincar como ação livre, iniciada e mantida pela criança.
A importância do espaço lúdico na construção do conhecimento é oportunizar a criança a observar o mundo imaginado por ela, e quando ela vê esta realidade de maneira muito distorcida, procuramos conversar com a mesma, esclarecendo as coisas, fazendo com que a criança fique mais perto da nossa realidade.
Esta é uma das formas de brincar mais saudáveis para o desenvolvimento da criança, razão pelo qual o “faz-de-conta” infantil deve ser tratado e subsidiado com seriedade, atribuindo o papel relevante no ato de brincar e na constituição
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do pensamento infantil. É brincando e jogando que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva com o mundo.
Para melhor compreensão é interessante o que Pinto (2003, p.65) nos diz:
O espaço lúdico não precisa ficar restrito a quatro paredes, ao contrario, deve fluir por todo o ambiente, dentro e fora das classes. Um dos objetivos desse espaço é favorecer o encontro de crianças, para brincar, jogar, fazer amigos, propiciar a convivência alegre e descontraída dos frequentadores.
Seguindo o pensamento da autora, nesse espaço a criança interage com o meio físico, com outras crianças e com adultos, construindo assim, regras de convivência e competência, treina suas habilidades e capacidades de ganhar ou perder, saber respeitar suas diferenças dos outros, aprender a lutar por seus direitos, defender seu espaço, mas respeitar o do amigo. Parecem coisas tão simples e tão óbvias, mas são muito difíceis de fazer na prática.
Essas atividades lúdicas têm objetivos diversos, usadas para divertir, outras vezes para socializar, promover a união de grupos e, num enfoque pedagógico, serve como instrumento para transmitir conhecimentos. É fato que nossa cultura e, talvez, mais ainda a das crianças, absorveu a mídia e, de um modo privilegiado, a televisão. A televisão transformou a vida e a cultura da criança. Ela influenciou particularmente na cultura ludicidade.
Essa cultura lúdica não está fechada em torno de si mesma; ela integra elementos externos que influenciam a brincadeira: atitudes e capacidades, cultura e meio social. Ela está imersa na cultura geral à qual a criança pertence. A cultura retira elementos do repertório de imagens que representa a sociedade no seu conjunto, é preciso que se pense na importância da imitação na brincadeira. A mesma incorpora, também, elementos presentes na televisão, fornecedora generosa de imagens variadas.
Pelas ficções, pelas diversas imagens que mostra, a televisão fornece às crianças conteúdo para suas brincadeiras. Elas se transformam, por meio das brincadeiras, em personagens vistos na televisão. De qualquer modo, a televisão tornou-se uma fornecedora essencial, senão exclusiva, dos suportes de brincadeira, o que só pode reforçar sua presença junto à criança.
Numa sociedade que fragmenta os contextos culturais, a televisão oferece uma referência comum, um suporte de comunicação. A mesma não se opõe à brincadeira, mas alimenta-a, influencia-a, estrutura-a na medida em que a brincadeira não nasceu do nada, mas sim daquilo com o que a criança é confrontada, reciprocamente, a brincadeira permite à criança apropriar-se de certos conteúdos da televisão.
A televisão tem influência sobre a imagem do brinquedo e sobre seu uso e, é claro, estimula o consumo de alguns deles. Seja diretamente, por intermédio das emissões dos programas, ou indiretamente, através dos brinquedos que se adaptaram à sua lógica, a televisão intervém muito profundamente na brincadeira da criança, na sua cultura lúdica.
Quando o aluno se volta para a sociedade atual, por meio da informática, não está apenas frente a um novo instrumento de consumo ou brinquedo. O computador estrutura um novo recorte da realidade. Um recorte que possibilita ao usuário recriar uma parte da realidade. Este fato nunca antes tinha acontecido nas dimensões atuais.
Pesquisas apontam que computador, videogames, filme e programa de TV com conteúdo adequado estimulam a seleção de informação, a capacidade de dedução e a lógica.
Entretanto, com o desenvolvimento das sociedades e das transformações tecnológicas tudo isso se altera. As produções gradativamente se tornaram mais sofisticadas intelectualmente. O capitalismo criou um novo modelo de saber, onde a tecnologia assume uma dinâmica cada vez maior.
Com a criação da rede de computadores, e principalmente da internet, não basta apenas o sujeito aprender a lidar com as informações mais gerais. É preciso aprofundá-las, decodificando-as em toda a sua complexidade. Isto porque agora o sujeito está sozinho frente ao processo de transmissão e produção/reprodução das informações.
A base de informações maiores não virá dos professores, mas dos próprios computadores que poderão ser acionados nos lares, nas bibliotecas ou na própria escola. O professor se tornará então um orientador de formas de estudo mais adaptadas as necessidades dos alunos. (Santos, Santa Marli. p.80.)
Cabe aos professores, se quiserem participar deste processo de transformação social, uma constante reciclagem. Um professor atualizado é aquele que tem olhos no futuro e a ação no presente, para não perder as possibilidades que o momento atual continuamente lhe apresenta. (Santos, Santa Marli. p.80.)
2.5 As Contribuições do Lúdico na Construção do Conhecimento
O brincar é uma atividade constante na vida de toda criança, algo que lhe é natural e muito importante para o seu desenvolvimento. As brincadeiras, para a criança, constituem atividades primárias que trazem grandes benefícios do ponto de vista físico, intelectual e social e a maneira como a mesma brinca reflete sua forma de pensar e agir.
Negrine (1994, p.19) afirma que:
as contribuições das atividades lúdicas no desenvolvimento integral indicam que elas contribuem poderosamente no desenvolvimento global da criança e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade são inseparáveis, sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança.
Negrine relata que o lúdico é uma atividade de grande eficácia na construção do desenvolvimento infantil, pois o brincar gera um espaço para pensar, e que por meio deste a criança avança no raciocínio, desenvolve o pensamento, estabelece contatos sociais, compreende o meio, satisfaz desejos, desenvolve habilidades, conhecimentos e criatividade. As interações que o brincar e o jogo oportunizam favorecem a superação do egocentrismo, que é natural em toda criança, desenvolvendo a solidariedade e a socialização.
A capacidade de brincar possibilita às crianças um espaço para resolução dos problemas que as rodeiam. A criança, por meio da brincadeira, reproduz o discurso externo e o internaliza, construindo seu próprio pensamento.
De acordo com Vigotsky (1984, p.97):
A brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento proximal” que não é outra coisa senão a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.
Vigotsky afirma que, por meio do brincar origina-se na criança a zona de desenvolvimento proximal que se define por funções que ainda não amadureceram, mas que estão em processo de maturação, funções que estão presente nas crianças em estado embrionário.
Por meio das atividades lúdicas, a criança reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano, as quais, pela imaginação e pelo faz-de-conta, são reelaboradas.
Esta representação do cotidiano se dá por meio da combinação entre experiências passadas e novas possibilidades de interpretações e reproduções do real, de acordo com suas afeições, necessidades, desejos e paixões. Estas ações são fundamentais para a atividade criadora do homem.
Negrine (1994), em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil, afirma que "quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história, construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica".
De acordo com Negrine é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica. E por meio de investigações, brincadeiras o educador consegue conhecer a realidade e o conhecimento prévio que cada criança traz consigo.
A criança por muito tempo foi considerada um adulto em miniatura. Ela tem características próprias e para se tornar um adulto, ela precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Seu primeiro apoio nesse desenvolvimento é a família, posteriormente, esse grupo se amplia com os colegas de brincadeiras e a escola.
A brincadeira lúdica vem ampliando sua importância, deixando de ser um simples divertimento e tornando-se uma ponte entre a infância e a vida adulta.
2.6 A Brincadeira Despertando a Criatividade
O jogo simbólico ou de faz-de-conta, particularmente, é ferramenta para criação da fantasia, necessária a leituras não convencionais do mundo. Abre caminho para autonomia, a criatividade, a exploração de significados e sentidos. Atua também sobra a capacidade da criança de imaginar e representar outras formas de expressão.. .
Trata-se de oferecer à criança os brinquedos que, por sua forma, sentido e manipulação, criarão possibilidades de desenvolver o raciocínio através do jogo.
A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais. Cria condições para uma transformação significativa da consciência infantil, por exigir das crianças formas mais complexa de relacionamentos com o mundo. Isso ocorre em virtude das características da brincadeira.
Os objetos manipulados na brincadeira, especialmente, são usados de modo simbólico, como um substituto para os outros, por intermédio de gestos imitativos reprodutores das posturas, expressões e verbalizações que ocorrem no ambiente da criança. Na verdade, só o fato de colocarmos o material a disposição da criança permite que ela desenvolva sua atividade real. Com o material a criança age, e nessa idade toda a aprendizagem ocorre por meio da ação.
É através da apercepção criativa, mais do qualquer outra coisa, que o individuo sente que a vida é digna de ser vivida.
Muitos indivíduos experimentaram suficientemente o viver criativo para reconhecer, de maneira tantalizante, a forma não criativa pela qual estão vivendo, como se estivessem presos à criatividade de outrem, ou de uma máquina.
Viver de maneira criativa ou viver de maneira não criativa constituem alternativas que podem ser nitidamente contrastadas.
A criatividade que estamos estudando relaciona-se com abordagem do individuo a realidade externa. Supondo-se uma capacidade cerebral razoável, inteligência suficiente para capacitar o indivíduo a tornar-se uma pessoa ativa e a tomar parte na vida da comunidade, tudo o que acontece é criativo.
Segundo Marzollo e Lloyd (1972, p.162): “a criatividade é basicamente uma atitude, que ocorrem facilmente entre as crianças pequenas, mas que que precisa ser mantida e reforçada para não ser sacrificada no nosso mundo excessivamente lógico”. Assim, brincando, a criança vai, pouco a pouco, organizando suas relações emocionais; isso vai dando a ela condições para desenvolver relações sociais, aprendendo a se conhecer melhor e a conhecer e a aceitar a existência dos outros.
A criatividade também está situada no domínio cognitivo, mas exerce um influencia mais forte sobre o domino afetivo, e tem relação com a expressão pessoal e a interpretação de emoções, pensamentos e ideias: Moyles, 2002, p.82) considera que “é um processo mais importante do que qualquer produto especifico para a criança pequena, como podemos constatar”. As crianças criam e recriam constantemente ideias e imagens que lhes permitem representar e entender a si mesmas e suas ideias sobre a realidade. As atividades expressivas das crianças de quatro anos inicialmente vão representar aquilo que as impressionou em situações de vida real, mas dentro de um ano ou dois as crianças rapidamente se tornam mais imaginativas e criativas, na medida em que sua capacidade de simbolizar aumenta.
Meek, (1985, p. 41) afirma que:
A criatividade e a imaginação estão enraizadas no brincar de todas as crianças pequenas e, portanto, são partes do repertório de todas as crianças, não de minorias talentosas. Ela diz enfaticamente que elas constituem a base da verdadeira educação.
Poderíamos dizer que o brincar leva naturalmente à criatividade, porque em todos os níveis do brincar as crianças precisam usar habilidades e processos que proporcionam oportunidades de ser criativo.
Para ser criativo é preciso ousar ser diferente, requer tempo e imaginação, o que está disponível para a maioria das crianças, requer autoconfiança, algum conhecimento, receptividade, senso de absurdo e a capacidade de brincar. Tudo isso faz parte da infância e, muito disso precisa ser estimulado com mais vigor no contexto da escola e da educação.
2.7 A Função do Brinquedo para o Desenvolvimento Integral do Ser Humano
Através do brinquedo, a criança inicia sua integração social; aprende a conviver com os outros, a situar-se frente ao mundo que a cerca, pois brincar não é perda de tempo, nem simplesmente uma maneira de preencher o tempo, pois a criança que não tem a oportunidade para brincar é como um peixe fora da água. Portanto, o brinquedo possibilita o desenvolvimento integral da criança, já que se envolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente, tudo de uma maneira envolvente, em que ela desprende energia, imagina, constrói suas normas e cria alternativas para resolver imprevistos que surgem no ato de brincar.
Por essa razão, Callois apud Ferreira (199?) afirma que
O brinquedo não se constitui numa aprendizagem do trabalho. Ele não prepara um ofício definido, mas admite que pode introduzir na vida em seu conjunto geral fazendo crescer as capacidades de superar os obstáculos ou de enfrentar dificuldades.
Portanto, o brinquedo facilita a compreensão da realidade, é muito mais um processo do que um produto, não é o fim de uma atividade ou o resultado de uma experiência, por ser essencialmente dinâmico. O brinquedo possibilita a emergência de comportamentos espontâneos e improvisados, exigindo movimentação física, emocional, além de provocar desafio mental. E neste contexto, a criança só ou com companheiros integra-se ou volta-se contra o ambiente em que está.
Por outro lado, o padrão do desempenho e normas cabe aos participantes criar; há liberdade para tomar decisões. A direção que o brinquedo segue é determinada pelas variáveis de personalidade da criança, do grupo e do contexto social em que as mesmas vivem. O brinquedo é a essência da infância; é o veículo do crescimento, o caminho que dá à criança condições para explorar o mundo, tanto quanto o adulto, possibilitando descobrir e entender seus sentimentos, as suas idéias e sua forma de reagir. Assim, uma criança, ao se apropriar de uma boneca, poderá denominá-la de mãe ou de qualquer outra pessoa, dependendo do momento em que se passar a brincadeira. Nesse instante, é liberada a criatividade, a imaginação, o significado, a especificidade.
3 CONSIDERAÇÕES/ RECOMENDAÇÕES
Ao término desse estudo concluí-se que o lúdico é uma forma facilitadora de aprendizado. Com ele a criança desenvolve aspectos afetivos, cognitivos, motores e sociais, podendo assim interagir com o meio em que vive de forma dinâmica e prazerosa. O jogo, a brincadeira e o brinquedo não podem ser ignorados nas fases iniciais da vida da criança e, infelizmente, é o que acontece quando muito professores, em função de não terem acesso a informações mais precisas sobre o lúdico, acabam agindo de maneira tradicional, deixando de utilizar esse elemento facilitador no processo de formação de um cidadão crítico e reflexivo.
Precisamos incentivar os professores para trabalharem de forma dinamizadora, criando atividades que possam chamar a atenção da criança no ambiente escolar, possibilitando a construção de idéias e conceitos que contribuam na sua vida como seres que vivem, lutam e participam em uma sociedade que precisa lutar pelos direitos humanos. O bom êxito de toda atividade lúdica pedagógica depende exclusivamente do adequado preparo e liderança do professor.
Brougére (2000) tem razão em afirmar que: Encontramos-nos frente a uma brincadeira que sujeita a conteúdos definidos socialmente, não é mais brincadeira, transformou-se em uma atividade controlada pela mestra que se utiliza na educação para manter os alunos interessados em sua proposta.
Portanto, a realidade observada dessa prática na pesquisa mostra que, com o passar do tempo, esta dificuldade também estará superada. Mas, na educação, o agora é mais importante que o ontem, devendo servir de base para as decisões do amanhã e um estudo detalhado de todas as questões permitirá mudanças gradativas que não devem servir apenas para a escola em questão, mas também para professores e administradores escolares que, assim, oferecerão melhores condições de crescimento e aproveitamento na escola. Ao estabelecermos uma proposta de relações educativas democráticas, voltadas para a participação societária, engajamo-nos nas distintas estruturas de apresentação para o exercício da cidadania. Afinal, educar o ser humano é prepará-lo para a vida, independente dos desafios que possamos encontrar.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Paulo N. Educação lúdica: Técnicas e jogos pedagógicos. 10. ed. São Paulo: Loyola, 2000.
ARANÃO, Ivana V. D. A matemática através de brincadeiras e jogos. 4. ed. Campinas-SP: Papirus, 2002
BARBOSA, Ângela; GUIMARÃES, Elizabete; LIMA, Hellen. Gestão escolar: Mudanças nas relações em busca de novos desafios para uma gestão democrática. Belém: UVA, 2004.
BROUGÉRE, Gilles. Brinquedo e Cultura. V. 43. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
FERREIRA, Nilda T. O jogo infantil e o imaginário da criança. [PPGEFUGF 535 (Lires – Rio)]. Rio de Janeiro: UFRJ, 2003.
KISHIMOTO, Tisuko M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
___________________ (org). O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
MACHADO, Adriana; PANTOJA, Jaspe; AMARAL, Orlandina. Jogos regionais na alfabetização: Uma proposta inovadora para o ensino-aprendizagem. Belém: UEPA, 1990.]
MARANHÃO, Diva Nereide M. M. Ensinar brincando: A aprendizagem pode ser uma grande brincadeira. 2. ed. Rio de Janeiro: WAK, 2003.
OLIVEIRA, Marta Kohl. Vigotsky: Aprendizado e desenvolvimento - um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997.
REGO, Tereza Cristina. Vigotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
ROCHA, Maria Sílvia P. M. L. Não brinco mais. Ijuí: Ed UNIJUÍ, 2000.
VIGOTSKY, L. S. A Formação social da mente. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
________________________________________
¹ Especialista em Psicopedagogia, Graduada em Pedagogia, Coordenadora Pedagógica da SEDUC, Professora da Escola Superior Madre Celeste - ESMAC ; angelapena48@yahoo.com.br
² Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, Especialista em Gestão Educacional, Graduada em Pedagogia, Professora nas Instituições: Universidade Federal Rural da Amazônia- UFRA, Escola Superior Madre Celeste - ESMAC ; Faculdades Integradas Ipiranga. mgstneves@gmail.com
 
 
COMO DESENHAR NO ESPAÇO
 
 
 
 

O que fazer quando algumas crianças terminam a atividade antes do que as outras?

Deixá-las simplesmente esperando ou apressar o restante da turma não é a solução. Conheça propostas inteligentes para entreter a garotada sem atrapalhar a rotina

 
ATIVIDADES PARALELAS Na EMEB Olavo Bilac, em São Bernardo do Campo, quem termina a atividade primeiro (à direita) tem livros e jogos para ler e brincar enquanto espera os colegas que ainda estão trabalhando com o auxílio da educadora (à esquerda).
 
 
Não se trata de falta de planejamento. O ritmo com que os pequenos realizam as propostas que você apresenta faz com que o dia não se desenrole em um compasso perfeito, a ponto de todo mundo fazer a mesma coisa ao mesmo tempo. É claro que organizar as atividades prevendo a duração de cada uma delas é algo a que o educador tem de se dedicar. Porém tão importante quanto isso é planejar sugestões para quem termina as tarefas primeiro com intencionalidade. Isso quer dizer não eleger qualquer coisa somente para distrair a turma, e sim pensar em trabalhos significativos e nas habilidades a serem aprimoradas por meio deles.

Pedir que as crianças esperem os colegas terminar o que estão fazendo não é uma opção (embora muitas sejam submetidas a isso na Educação Infantil). "Se não têm o que fazer, elas ficam entediadas e atrapalham os demais. A situação foge do controle", explica Maria Carmen Barbosa, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

As atividades de transição (ou de passagem) são válidas não só para organizar o tempo como também para as crianças aprenderem a esperar e respeitar o ritmo dos outros. Ambas as habilidades devem ser construídas aos poucos, tendo sempre você como mediador. Na EMEB Olavo Bilac, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a turma já está habituada a elas.

"Com a opção de uma atividade paralela, ninguém tem de abandonar a tarefa incompleta só porque alguns colegas já a concluíram", diz Maévi Nono, professora da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Confira o que e quando propor, quais os encaminhamentos, o que observar e o que evitar.
 
OPÇÕES ESCOLHIDAS COM INTENCIONALIDADE Brinquedos e massinha são boas ideias para as atividades de passagem desde que o educador tenha objetivos claros ao ofertá-los aos pequenos. Vale observar as escolhas deles, se preferem brincar sozinhos ou em grupo e como manipulam as peças.
O que propor Se a sala tem espaços diferenciados, como o canto dos brinquedos e o da biblioteca, vale liberar os pequenos para se divertir neles. Disponibilize também quebra-cabeças, livros, gibis, fantoches, massinha, papel e lápis de cor para desenhar e jogos de montar, entre outros. Na EMEB Olavo Bilac, a educadora Márcia Regina Marques guarda esses materiais em caixas que ficam ao alcance de todos da pré-escola. "Dependendo do número de crianças, organizo um ou dois grupos, não mais do que isso, e distribuo algumas opções", ela explica.

Quando propor Esse tipo de atividade deve ser apresentada não só como uma alternativa enquanto a turma aguarda um novo desafio. Existem outros momentos que requerem propostas paralelas: os imprevistos (uma criança se machuca e precisa de cuidados) e as tarefas individuais (como escovar os dentes).

Encaminhamentos Quando a maioria dos pequenos acabar a tarefa, diga que eles podem brincar um pouco enquanto esperam os demais, mas sem atrapalhá-lhos. Indique o material que pode ser usado e o distribua ou libere o grupo para pegá-lo. Explique que, quando a atividade principal for terminada por todos, a rotina deverá ser retomada. "É uma oportunidade para as crianças construírem a noção de que formam um grupo que trabalha junto a maior parte do tempo", diz Maria do Rosário de Souza, da EPG Olavo Bilac, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O que observar Mesmo acompanhando mais de perto os que ainda estão realizando a atividade principal, não deixe de prestar atenção nas crianças que estão lendo ou brincando. Maria Carmen explica que o momento de transição é muito importante para analisar quais os interesses dos pequenos, como eles interagem uns com os outros e se têm mais autonomia.

O que evitar É desaconselhável oferecer várias opções para não dividir a criançada e apresentar livros ou jogos desconhecidos. "A turma não pode depender 100% do educador para brincar, já que ele deve estar mais direcionado a quem ainda não terminou a atividade principal", diz Daniela Munerato, orientadora educacional da Educação Infantil na Escola da Vila, em São Paulo.
 
 
Tem criança na cozinha!
 
A EQUIPE DA COZINHA EM PARCERIA COM AS PROFESSORAS LUCIANE E ARIANE ESTÁ DESENVOLVENDO O PROJETO DE CULINÁRIA COM AS TURMAS G5 A E B, A IDEIA É PREPARAR COM AS CRIANÇAS AS RECEITAS QUE MAIS GOSTAM DO CARDÁPIO DA CRECHE E AO FINAL DO PROJETO PUBLICAR UM LIVRO DE RECEITAS.
NO PRIMEIRO ENCONTRO REALIZAMOS UMA RODA DE CONVERSA COM AS CRIANÇAS FALANDO SOBRE AS RECEITAS, LIVROS DE RECEITAS E O QUE ELES SABIAM SOBRE COZINHAR, DEPOIS ELES CONHECERAM A COZINHA DA CRECHE.
A INCLUSÃO DAS CRIANÇAS EM AÇÕES DO COTIDIANO E O ENVOLVIMENTO COM ALIMENTAÇÃO FAVORECEM A CONSTRUÇÃO DE HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS E A RELAÇÃO POSITIVA DAS CRIANÇAS COM OS ALIMENTOS.
 
COMPREENDER O PROCESSO DE PREPARO DOS ALIMENTOS QUE CHEGAM PRONTOS ATÉ A MESA FAZ COM QUE AS CRIANÇAS VALORIZEM E SE INTERESSEM PELOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NESTA TAREFA DIÁRIA.
 
ALÉM DA RELAÇÃO COM O PRÓPRIO ALIMENTO, PREPARAR E OFERECER DIFERENTES RECEITAS PARA OUTRAS CRIANÇAS É UM ATO DE GENTILEZA. ESCOLHER UMA RECEITA QUE GOSTAM, PENSAR NO PREPARO, COLHER ERVAS NA HORTA, TUDO ISSO GERA UM CLIMA RESPEITOSO E ACOLHEDOR.
 
O RESGATE DAS RECEITAS FAZ PARTE DAS CELEBRAÇÕES DOS 30 ANOS DA CRECHE.
 
 
RELATO DE EXPERIÊNCIA
 
 
 
OS QUATRO ELEMENTOS DA NATUREZA (AR, FOGO, TERRA E ÁGUA) NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
Profª Taiane Marques dos Santos
Formada em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas e Pedagogia pela Universidade do Grande ABC - UniABC
 
Publico Alvo: Crianças de 2 a 3 anos
Objetivo
Desenvolver atividades sobre Os Quatro Elementos da Natureza (Ar, Fogo, Terra, Água), onde a criança seja autônoma para explorar, experimentar, criar, investigar os elementos da natureza; que possa compartilhar, interagir e conviver com o outro e ainda se divertir com as experiências propostas
Justificativa
É relevante, pois realizamos propostas que envolveram as crianças, de forma prática, em atividades com o meio ambiente, onde tiveram vivências que proporcionou inúmeras aprendizagens como: experimentaram diversas sensações, foram estimulados a serem autônomos, desenvolveram instinto investigativo, conviveram com o outro e com a natureza e acima de tudo se divertiram.
As crianças, desde muito pequenas, já estabelecem relações e têm opinião. Assim, quando estimuladas pela prática, que permite e oportuniza a participação ativa no processo de construção do conhecimento, suas possibilidades são ainda maiores.
Acredito que para a criança aprender a respeitar a natureza é importante proporcionar momentos de convívio com o meio ambiente e seus elementos.
Na educação infantil a criança aprende através da exploração, neste sentido este projeto proporcionou inúmeras descobertas e aprendizagens através de atitudes espontâneas com os ambientes preparados.
É através da observação e interação com o ambiente e objetos que a cercam que as crianças são estimuladas a pensar e a buscar soluções próprias para os problemas com os quais se deparam. Assim sendo, a participação dos alunos em diversas atividades foi feita de forma a criar um sentimento de interação com o ambiente.
Atividades desenvolvidas
Nossa primeira experiência foi um passeio pelos espaços livre da escola para observar a terra, as plantas as folhas, em seguida as crianças exploram uma porção de terra escura, colocaram a mão, cheiraram, espalharam pela mesa.
 
Mãozinhas curiosas
Outra experiência com terra foi colocar água na terra o que rendeu muitas possibilidades e explorar e criar.
 
Será que dá para desenhar?
Se plantarmos uma sementinha (feijão) “O que vai acontecer?” As crianças plantaram, regaram e acompanharam o crescimento do feijão
 
Penduramos nossas plantinhas em uma árvore – Regando o feijão
Perguntas que direcionam atitudes: Está seco! O que precisa para crescer? água
 
Vejam como cresceu nosso feijão!
Plantamos hortelã
As crianças não foram expectadoras, nem só observadoras neste processo. Colocaram as mãos na terra afofaram, misturaram, semearam, plantaram, regaram.
Observaram e fizeram experiências com fogo: sopraram, com vela acesa pingaram parafina na água e queimaram giz de cera (uma técnica diferente para desenhar).
 
A interação acender apagar proporcionou uma variedade de aprendizagens (presença do ar)
Associaram a festas de aniversário.
 
ATENÇÃO: As crianças foram orientadas sobre o perigo do fogo.
Água: Quantas possibilidades! A água já vem sendo inseridas em várias atividades anteriores, veja mais algumas que foram desenvolvidas.
Banho em brinquedos: Uma brincadeira que oportuniza várias descobertas.
 
Foi uma diversão só! Observe esta foto. Olha a água tendo outra função.
Aqui mais do que estar em contato com a água o importante é ser autônomo, conviver, aprender com o outro, interagir com objetos e pessoas e tantas outras oportunidades de descobertas e aprendizagens.
Banho de piscina
Sentir prazer é o que notamos nesta proposta com água.
Bexigas de formatos diferentes cheias de água.
Bolinha de Sabão, onde envolveu água e ar. Sopraram, sopraram até fazer sua própria bolha.
Bola de Sabão Gigante
 
As crianças têm verdadeira paixão por bolinhas de sabão, ficam encantadas. É sempre muito importante, antes de cada atividade explicar o que faremos e por que faremos aquela atividade.
Fizemos experiências com bexigas de vários formatos e tamanhos para descobrir o ar.
 
Nas atividades, muitas vezes, primeiro ouve a curiosidade e medo do novo depois, exploração e oportunidade para criar, tudo deve ser guiado sem interromper descobertas, uma boa proposta pode ser valorizar o envolvimento, estimular, afim de que todos participem e façam perguntas, como:
E se colocar água na terra o que acontece? Vira lama? E o que pode ser feito com a lama? Dá para desenhar?
É importante também, em algum momento buscar interação com outro grupo – convidar outra sala para participar da atividade.
Considerações Finais
Com as experiências com os elementos da natureza (Ar, Fogo, Água e Terra) observamos em nossas crianças o despertar da curiosidade e o gosto pelas descobertas.
Durante as atividades muito além de explorar as crianças conviveram com o outro e com a natureza, socializaram objetos e experiências; desenvolveram o espírito investigativo; foram estimulados a serem autônomos; criaram, descobriram e experimentaram inúmeras possibilidades.
Este trabalho foi importante para servir de modelo de atitude sustentável, e, acima de tudo, da relevância de um ensino significativo para a criança, onde puderam conviver com experiências repletas de intencionalidade para o desenvolvimento da demanda de necessidade nesta idade. A ideia foi oferecer inúmeras possibilidades com diversas soluções, o que levou cada criança direcionar de acordo com sua forma de ser.
Fizemos coisas inesperadas, pouco comuns, o que foram uma grande oportunidade de aprender através de experiências.
Desta forma, as perspectivas foram ampliadas e as crianças estão aptas a prosseguir e ampliar seus conhecimentos científicos.
OBRIGADA!
 

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